Após ameaças de Trump, presidente do Irã diz que está pronto para se “sacrificar” pelo país

Atualizado em 7 de abril de 2026 às 7:14
Masoud Pezeshkian, presidente do Irã. Foto: Atta Kenare/AFP

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (7) que está disposto a dar a própria vida pelo Irã e disse que milhões de iranianos compartilham da mesma disposição em defesa do país, em meio ao agravamento do conflito com os Estados Unidos e seus aliados. A declaração foi feita nas redes sociais e divulgada pela RT Brasil, num momento em que Teerã endurece o discurso diante da ofensiva militar e das ameaças feitas por Donald Trump.

Na mensagem, o presidente iraniano ressaltou o engajamento popular em torno da defesa nacional e apresentou o gesto como sinal de unidade diante da guerra.

“Até o momento, mais de 14 milhões de iranianos orgulhosos declararam sua disposição de sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também fui, sou e serei um sacrifício pelo Irã”, afirmou. A fala amplia o tom de mobilização adotado pelo governo iraniano nas últimas semanas, em meio à escalada dos ataques e ao aumento da pressão externa sobre o regime.

As declarações de Pezeshkian vieram depois de novas críticas às ameaças feitas por Trump. Na sexta-feira (3), o presidente iraniano classificou como um “crime de guerra em grande escala” a ameaça de “fazer uma nação inteira retroceder à Idade da Pedra”.

Ao mesmo tempo, ele sinalizou que o Irã aceita discutir o fim da guerra, desde que existam garantias concretas de que não haverá novos ataques. Essa posição foi apresentada durante uma conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Segundo Pezeshkian, o Irã participava de negociações de boa-fé com os Estados Unidos antes do início das hostilidades, mas a campanha militar estadunidense-israelense iniciada em 28 de fevereiro interrompeu esse processo. O presidente iraniano classificou as ações dos adversários como “crimes sem precedentes” e “violações do direito internacional”, reforçando a acusação de que o conflito foi conduzido à margem das normas internacionais.

No mesmo contexto, o Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou na segunda-feira (6) que os assassinatos de comandantes do regime por Estados Unidos e Israel não vão abalar o país.

Em comunicado divulgado pela mídia estatal, ele lamentou a morte de Majid Khademi, chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica, atingido em um ataque aéreo israelense em Teerã. Ao citar o militar, Khamenei elogiou suas décadas de “serviço silencioso” e afirmou que ele “atuou defendendo a segurança, a defesa e os interesses nacionais do Irã”.

No texto, o líder também declarou que essas perdas não enfraquecerão a estrutura do país nem a disposição das Forças Armadas iranianas.

“As fileiras inabaláveis dos combatentes e lutadores no caminho da verdade no Irã islâmico, juntamente com as Forças Armadas abnegadas, formam uma frente tão imponente e profundamente enraizada que o terrorismo e o crime não conseguem sequer abalar sua determinação pelos ideais jihadistas”, escreveu.

Nomeado em 8 de março, após a morte de Ali Khamenei, Mojtaba ainda não apareceu publicamente desde que assumiu o posto, e suas declarações vêm sendo lidas por apresentadores da televisão estatal.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.