Após ameaças dos EUA, Irã acusa Trump de incitar violência e promete reagir

Atualizado em 13 de janeiro de 2026 às 21:12
Embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, em evento na sede da organização, em Nova York. Foto: Eduardo Munoz/Reuters

O Irã acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incitar violência e incentivar a desestabilização política no país. A posição foi formalizada pelo embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, em carta enviada nesta terça-feira (13) ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

No documento, Iravani afirmou que “os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela consequente perda de vidas civis inocentes, particularmente entre os jovens”. A carta também atribui aos dois países responsabilidade por ameaças à soberania, à integridade territorial e à segurança nacional do Irã.

A manifestação iraniana ocorreu após uma publicação de Trump nas redes sociais. O presidente norte-americano afirmou que cancelou qualquer diálogo com autoridades iranianas e incentivou manifestantes a “tomarem as instituições”, em meio aos protestos que se espalharam por diversas cidades do país.

Em outro trecho da postagem, Trump escreveu: “Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!!”.

A tensão aumentou após entidades de direitos humanos afirmarem que o governo iraniano poderá executar um manifestante preso nesta quarta-feira (14). Caso confirmada, seria a primeira execução relacionada aos protestos iniciados no fim de dezembro.

Em entrevista à emissora CBS News, Trump comentou a possibilidade e declarou: “Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas… Tomaremos medidas muito duras se fizerem algo assim”. Organizações internacionais estimam que os protestos no Irã já deixaram cerca de 2.000 mortos, número que o governo do país não divulga oficialmente.