Após atacar Erika Hilton, Ratinho se vitimiza e processa deputada por ser comparado a um rato

Atualizado em 29 de abril de 2026 às 10:38
Érika Hilton e Ratinho. Foto: reprodução

O apresentador Ratinho decidiu processar a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) por injúria, calúnia e difamação após ser chamado de “somente um rato” pela parlamentar nas redes sociais. O bolsonarista afirma que a fala atingiu sua honra e extrapolou os limites da crítica política.

O caso tramita na 7ª Vara Criminal de Brasília. Segundo documentos obtidos por Gabriel Vaquer, do F5, da Folha. Ratinho apresentou a denúncia no dia 14 de abril. Três dias depois, a Justiça do Distrito Federal notificou Erika Hilton para prestar esclarecimentos. O apresentador afirma que não comenta processos judiciais.

A manifestação da deputada ocorreu após Ratinho criticar, em seu programa, a escolha de Erika para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Na ocasião, ele afirmou que a parlamentar não seria adequada ao cargo por ser uma mulher transexual.

“Tem tanta mulher, por que vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans”, afirmou. “Não tenho nada contra trans, mas tem outras mulheres, mulheres mesmo…”

O apresentador também declarou: “Mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”. Em outro momento, questionou: “Vocês pensam que a dor do parto é fácil?”

Ratinho ainda colocou em dúvida a capacidade de Erika de compreender os problemas e desafios femininos. “Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar”, disse. “Estão exagerando.”

Após a repercussão, Erika reagiu nas redes sociais e classificou o ataque como inadmissível. “Eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato”, afirmou.

A deputada também processou Ratinho por transfobia e pediu indenização de R$ 10 milhões. Além disso, solicitou ao Ministério das Comunicações a suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias. O SBT informou que tratou o caso internamente, sem detalhar as medidas adotadas.

Em março, diante da repercussão, Ratinho voltou a se manifestar durante seu programa. “Eu não vou mudar o meu jeito de ser para agradar quem quer que seja. Fica o recado”, afirmou.

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul ingressou com ação civil contra o apresentador. O órgão sustenta que houve discurso de ódio e desumanização da identidade de gênero da comunidade LGBT+. A Justiça Federal encaminhou o processo para audiência de conciliação. Caso não haja acordo, a ação seguirá para análise judicial.

Ratinho, por sua vez, afirma que fez apenas uma crítica política à parlamentar e que a resposta de Erika colocou em dúvida seu caráter pessoal. Nas redes, ele escreveu: “Defendo a população trans, mas também defendo o direito de questionar quem governa. Crítica política, gente, não é preconceito, é jornalismo. E não vou ficar em silêncio”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.