Após ataque de Khamenei, Trump diz que Irã precisa de “nova liderança”

Atualizado em 17 de janeiro de 2026 às 17:40
Fotografia mostra o presidente dos EUA, Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (17) que chegou o momento de o Irã passar por uma mudança de liderança. A declaração ocorreu após o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, chamar o republicano de “criminoso” e acusá-lo de incentivar protestos contra o regime no país do Oriente Médio.

Em entrevista ao site Politico, Trump disse que “é hora de buscar uma nova liderança no Irã”. A fala foi uma resposta direta às declarações feitas mais cedo por Khamenei, divulgadas pela agência estatal iraniana Tasnim, nas quais o aiatolá atribuiu ao presidente americano responsabilidade pelas mortes e pelos danos registrados durante manifestações recentes.

Segundo o líder supremo, Trump estaria por trás das “acusações” feitas contra o Irã e teria incentivado a instabilidade interna. As críticas ocorreram em meio a uma escalada de protestos antigovernamentais que desafiam o regime iraniano desde o fim de dezembro.

Trump, por sua vez, afirmou que Khamenei é responsável, como chefe de Estado, pela “destruição do país” e pelo uso de violência em larga escala para manter o controle político. O presidente americano disse que governar envolve respeito e não o uso do medo ou da repressão.

Manifestantes protestam contra o regime iraniano em Teerã durante atos que se espalharam pelo país após a disparada da inflação e a repressão das forças de segurança.

Durante a entrevista, Trump voltou a acusar o líder iraniano de ordenar mortes em massa e afirmou que a decisão de não realizar mais de 800 enforcamentos recentes foi a melhor atitude tomada pelo regime nos últimos dias. Questionado sobre uma possível ação militar dos Estados Unidos, ele não confirmou planos imediatos, mas manteve o tom de advertência.

Os protestos no Irã começaram inicialmente como manifestações econômicas em Teerã, impulsionadas pela inflação elevada e pela escassez de produtos básicos. Em pouco tempo, os atos se espalharam pelo país e passaram a expressar críticas mais amplas ao regime da República Islâmica.

A crise econômica se intensificou após o banco central iraniano encerrar um programa que permitia a importadores acesso a dólares a preços mais baixos. A medida provocou alta abrupta de preços e fechamento de comércios, especialmente nos tradicionais bazares, historicamente alinhados ao governo.

Diante do avanço das manifestações, as autoridades iranianas cortaram o acesso à internet e às linhas telefônicas em momentos-chave dos protestos. Organizações de direitos humanos afirmam que centenas de pessoas morreram desde o início da repressão. Enquanto isso, Trump voltou a alertar que os Estados Unidos poderão reagir caso a violência contra manifestantes continue.