
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar a pressão militar sobre o Irã ao anunciar que as forças militares do país, posicionadas no Oriente Médio, permanecerão na região até que seja cumprido um “acordo real”. Embora tenha dito considerar “altamente improvável” o fracasso do cessar-fogo firmado nesta semana, o presidente também ameaçou com ataques ainda “maiores, melhores e mais fortes”, reforçando o clima de instabilidade às vésperas da abertura das negociações de paz no Paquistão.
Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que o aparato militar seguirá mobilizado no entorno iraniano. “Todos os navios, aeronaves e efetivos militares dos Estados Unidos, com munição adicional, armamento e qualquer outro elemento apropriado e necessário para a perseguição letal e destruição de um inimigo já substancialmente degradado, permanecerão em sua posição em e perto do Irã até o momento em que se cumpra plenamente o ACORDO REAL alcançado”, escreveu.
Em seguida, voltou a adotar tom bélico ao dizer: “Enquanto isso, nosso grande exército está se reabastecendo e descansando, aguardando, de fato, sua próxima conquista”.

A fala mostra que, apesar do cessar-fogo de duas semanas acertado na terça-feira, Washington ainda trata a trégua como frágil. O Irã aceitou reabrir a passagem pelo Estreito de Ormuz, ponto central para o acordo, mas deixou claro que pretende manter “seu domínio” sobre a rota estratégica por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
Em comunicado divulgado pela imprensa estatal iraniana, Teerã também sustentou que os Estados Unidos aceitaram a manutenção do programa iraniano de enriquecimento de urânio. Trump, porém, sinalizou o oposto e afirmou que o Irã “não terá armas nucleares”.
A tensão aumentou ainda mais com a divulgação, pela Marinha da Guarda Revolucionária, de um mapa com rotas alternativas de navegação no Estreito de Ormuz. A medida foi anunciada na madrugada desta quinta-feira (9), no horário local, como parte da tentativa de reabertura parcial da principal via marítima do petróleo mundial.
Segundo a Reuters, o Irã passou a defender um modelo de navegação supervisionada, com exigência de coordenação prévia entre as embarcações e as Forças Armadas iranianas. O governo também advertiu que navios que tentarem cruzar sem autorização poderão ser atacados.
A incerteza mantém o setor marítimo em alerta. A Reuters informou que empresas de navegação seguem cobrando regras mais claras para a travessia, enquanto seguradoras, armadores e refinarias monitoram o risco de novos incidentes.
A Maersk afirmou que o cessar-fogo ainda não garante “certeza marítima plena”, e a Hapag-Lloyd calcula que a normalização do tráfego pode levar de seis a oito semanas. No momento, ao menos 187 petroleiros continuam no Golfo à espera de definição, carregando cerca de 172 milhões de barris de petróleo bruto e derivados.