Após críticas de Tabata, Boulos relembra que ela apoiou a reforma da Previdência de Bolsonaro

Atualizado em 6 de julho de 2026 às 21:39
Boulos
A deputada federal, Tabata Amaral (PSB-SP), e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP). Foto: Andressa Vinicius Loures/Câmara dos Deputados/Anholete/Agência Senado

O Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos (PSOL-SP) rebateu nesta segunda-feira (6) um vídeo publicado por Tabata Amaral (PSB-SP) em que a deputada o criticou pelo número de projetos aprovados na Câmara. A parlamentar comparou a produção legislativa de Boulos à de nomes da extrema direita, como Nikolas Ferreira (PL-MG), Carla Zambelli (PL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e disse que políticos com grandes votações entregariam “migalhas” aos eleitores.

No vídeo, Tabata exibiu uma lista dos cinco deputados federais mais votados do país em 2022 e afirmou que Boulos teve cinco projetos transformados em lei no atual mandato. A deputada disse ainda que, pelos mesmos critérios, teria aprovado 32 projetos, entre eles iniciativas ligadas à educação, ao ensino técnico, ao programa Pé-de-Meia e ao Marco Legal das Startups.

A publicação irritou Boulos, que classificou a comparação como lamentável por partir de uma parlamentar do campo progressista. “A deputada Tabata Amaral publicou um vídeo em que me critica por ter aprovado ‘apenas’ 5 projetos na Câmara e me compara com Nikolas Ferreira, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli”, escreveu.

Boulos afirmou ter orgulho dos projetos aprovados no mandato e citou como exemplo a Lei das Cozinhas Solidárias. O programa, incluído na legislação federal, prevê apoio a iniciativas de oferta gratuita de refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade e foi associado pelo deputado ao combate à fome no país.

“Tenho muito orgulho dos projetos que aprovei, dentre eles a Lei das Cozinhas Solidárias, que ajudou a tirar o Brasil do Mapa da Fome”, disse Boulos. A resposta deslocou o debate da contagem bruta de projetos para o impacto social das propostas aprovadas.

O deputado também mirou o histórico político de Tabata. Boulos afirmou que teria vergonha se tivesse votado a favor da Reforma da Previdência do governo Jair Bolsonaro ou se fosse autor de uma lei que, segundo ele, criminaliza críticas ao genocídio de Israel na Faixa de Gaza.

A menção à Previdência retoma um dos pontos mais sensíveis da trajetória de Tabata na esquerda. Em 2019, quando ainda estava no PDT, a deputada contrariou a orientação do próprio partido e votou a favor da proposta de reforma previdenciária enviada pelo governo Bolsonaro. O episódio provocou ameaça de expulsão e marcou sua imagem junto a setores progressistas.

O outro ponto citado por Boulos é o Projeto de Lei 1424/2026, apresentado por Tabata na Câmara. A proposta define antissemitismo para orientar políticas públicas e adota parâmetros associados à Aliança Internacional para a Memória do Holocausto. Críticos do texto afirmam que a redação pode abrir brecha para enquadrar críticas ao Estado de Israel como antissemitismo.

O projeto gerou reação dentro da própria Câmara. Após a apresentação da proposta, parlamentares pediram a retirada de suas assinaturas, entre eles deputados do PT, do PV, do PDT e da Rede. O texto também foi criticado por setores ligados à defesa da causa palestina, que enxergam na medida risco de censura política em meio à ofensiva de Israel contra Gaza.

Ao responder Tabata, Boulos tentou deslocar o debate da contagem de projetos para o conteúdo político de cada mandato, lembrando que produtividade legislativa não se mede apenas pelo número de leis aprovadas. A reação transformou o vídeo da deputada em munição contra ela nas redes, sobretudo entre setores da esquerda que cobram seu voto na Reforma da Previdência de Bolsonaro, sua agenda liberal e seu alinhamento a Israel.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.