Após defesa de SC, PGR pede suspensão da lei que proíbe cotas nas universidades

Atualizado em 29 de janeiro de 2026 às 23:29
procurador-geral da República, Paulo Gonet, de óculos de grau, falando em microfone, sério, sem olhar para a câmera
O procurador-geral da República, Paulo Gonet – Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu no Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão imediata da lei de Santa Catarina que proíbe a adoção de cotas raciais em universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebem recursos do governo estadual. A manifestação foi encaminhada ao ministro Gilmar Mendes, relator do caso. Com informações do UOL.

No parecer enviado nesta quarta-feira (29), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a interrupção de políticas afirmativas sem avaliação prévia dos seus efeitos não está de acordo com a Constituição nem com precedentes já firmados pelo STF sobre o tema.

A lei já teve seus efeitos suspensos em decisão liminar proferida na terça-feira (27). Mesmo assim, a norma é alvo de ações diretas de inconstitucionalidade apresentadas ao STF pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), pelo Partido dos Trabalhadores (PT), por entidades estudantis, organizações da sociedade civil e pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

ministro Gilmar Mendes, relator do caso. olhando para o lado, de óculos de grau, sério
O ministro Gilmar Mendes, relator do caso – Reprodução

No documento, a PGR menciona decisões anteriores da Corte que reconheceram a constitucionalidade das cotas raciais e estabeleceram que a temporalidade dessas políticas exige reavaliação formal antes de eventual encerramento. Entre os precedentes citados estão julgamentos de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e de Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

A Procuradoria também destacou que o Brasil é signatário da Convenção Interamericana contra o Racismo, incorporada ao ordenamento jurídico com status constitucional. Segundo o parecer, o tratado prevê a adoção de políticas voltadas à promoção da igualdade de oportunidades para pessoas sujeitas à discriminação racial.

A norma foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina em dezembro de 2025 e sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL) na quinta-feira (22). O texto proíbe cotas raciais no ensino superior estadual e prevê sanções administrativas às instituições que descumprirem a regra, incluindo multas e a possibilidade de suspensão de repasses públicos.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.