Após delação barrada, PGR rejeita prisão domiciliar para Vorcaro

Atualizado em 15 de junho de 2026 às 20:50
PGR
O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Foto: Victor Piemonte/STF

A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O parecer foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, segundo a Veja.

Gonet não indicou qual deve ser o local de custódia do ex-banqueiro, que está na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, depois de ter passado pela Penitenciária Federal do Distrito Federal. O procurador-geral, no entanto, afirmou que a decisão da Segunda Turma do STF que manteve a prisão preventiva de Vorcaro segue válida.

A manifestação amplia a sequência de derrotas da defesa do ex-banqueiro no Supremo. Mais cedo, a PGR também rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro, acompanhando o entendimento da Polícia Federal.

A recusa à colaboração foi baseada na avaliação de que a proposta não trouxe fatos novos em relação ao que já havia sido apurado. Procuradores também apontaram falta de compromisso efetivo com a devolução de valores, um dos pontos centrais para eventual avanço das tratativas.

Vorcaro delação
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação/Polícia Penal

Vorcaro está preso desde março, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master. A Polícia Federal afirma que as irregularidades podem chegar a R$ 12 bilhões.

Com o fracasso da delação, a situação prisional do ex-banqueiro voltou ao centro da disputa no STF. A Polícia Federal pediu que ele deixe a Superintendência da corporação e seja transferido novamente para o sistema penitenciário.

A decisão caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. Antes de decidir sobre eventual transferência, o magistrado deve considerar as manifestações da PF e da PGR, além dos pedidos apresentados pela defesa.

Sem delação aceita e sem apoio da PGR à prisão domiciliar, Vorcaro fica mais distante de obter uma flexibilização imediata da custódia. A defesa tentava reduzir o rigor da prisão, mas a Procuradoria sustenta que a preventiva continua juridicamente válida.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!