
A Polícia Federal intimou 31 investigados para prestar depoimento no inquérito que apura fraudes bilionárias em descontos associativos no INSS. A nova rodada de oitivas foi definida após o empresário Maurício Camisotti, apontado pelos investigadores como um dos operadores do esquema, firmar acordo de delação premiada com a corporação. As informações já foram encaminhadas ao ministro André Mendonça, do STF, responsável por decidir sobre a homologação do acordo.
Entre os nomes chamados para depor estão personagens ligados ao núcleo político e operacional da investigação. A lista inclui Romeu Carvalho Antunes, filho de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, Tiago Schettini Batista, apontado como sócio oculto de Antunes, além de ex-assessores do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Adroaldo da Cunha Portal e da publicitária Danielle Miranda Fonteneles.
Na relação também aparece a empresária Roberta Luchsinger, sócia da RL Consultoria e Intermediações. De acordo com a linha investigativa da PF, ela integra o elo entre Fábio Luís Lula da Silva e o “Careca do INSS”. A apuração citada por veículos de imprensa aponta que a empresa de Roberta recebeu cinco pagamentos de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, e que os contratos atribuídos a essa relação destoariam das atividades usuais da empresa de Antunes.

Outra frente do inquérito apura se recursos suspeitos do esquema do INSS chegaram a uma agência de viagens usada por Fábio Luís Lula da Silva. Um relatório de inteligência da PF indica que essa agência recebeu cerca de R$ 640 mil de uma empresa de Roberta Luchsinger, enquanto a empresária teria recebido cerca de R$ 1,1 milhão de uma empresa ligada a Antônio Camilo Antunes por consultoria. A defesa de Roberta contesta essa leitura e afirma que a cronologia dos pagamentos afasta a hipótese de repasse indireto, porque as transferências para a agência teriam ocorrido antes dos valores recebidos por ela.
A investigação sobre Fábio Luís já inclui análise de dados bancários, fiscais e telemáticos. A PF cruza essas informações com as de outros investigados, entre eles Roberta Luchsinger e o “Careca do INSS”. Segundo o Poder360, a autorização para a quebra desses sigilos foi dada por André Mendonça em janeiro, antes mesmo da deliberação da CPMI sobre o tema. O caso segue sob sigilo no Supremo.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (10), a defesa de Roberta afirmou que ela já havia prestado informações por escrito e permanece “à disposição para qualquer esclarecimento suplementar”. Os advogados sustentam que a empresária nunca se recusou a colaborar e que qualquer manifestação adicional dependerá do acesso completo aos autos.