Após dias de sumiço no mar, embarcações com ajuda humanitária chega a Cuba

Atualizado em 28 de março de 2026 às 19:50
Imagens feitas pela Marinha Mexicana mostram as duas embarcações da flotilha Nova América no mar. Foto: Reprodução/X (@SEMAR_mx)

Dois veleiros que transportavam os últimos carregamentos do comboio humanitário “Nuestra América” atracaram em Havana neste sábado (28), após um período de dois dias em que as embarcações permaneceram sem contato no mar. Os barcos, que saíram do México com destino à ilha, foram localizados por volta da manhã a 80 milhas náuticas da capital cubana, e depois seguiram até o porto com nove tripulantes a bordo.

Durante o período de desaparecimento, autoridades do México e dos Estados Unidos divulgaram informações que, por momentos, não coincidiram. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que as buscas seguiam em andamento e que um navio da Marinha mexicana havia perdido contato após um primeiro avistamento. A Guarda Costeira dos Estados Unidos, por sua vez, informou ter recebido um relatório de que os barcos já estavam em segurança em Cuba, mas depois esclareceu que não participava das buscas.

As embarcações integram a iniciativa “Nossa América”, que reúne envios de ajuda humanitária a Cuba em meio à piora da crise energética e de abastecimento na ilha. Desde janeiro, o fornecimento de petróleo pela Venezuela foi interrompido, e os Estados Unidos impuseram um bloqueio de fato aos envios de combustível. Diante desse cenário, México e outras nações passaram a enviar insumos por via marítima e aérea.

Nos dias anteriores, outros carregamentos já haviam chegado a Havana. Na sexta-feira (27), o navio mexicano Huasteco desembarcou 111 toneladas de alimentos e doações. Na semana anterior, um navio com 30 toneladas de ajuda também atracou no porto da capital. Desde fevereiro, o México enviou mais de três mil toneladas de insumos à ilha, entre alimentos, medicamentos e itens de higiene.

O governo cubano agradeceu publicamente a cooperação mexicana, mas até o fim da tarde de sábado as autoridades do México e de Cuba não haviam confirmado oficialmente o avistamento dos veleiros. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, havia declarado mais cedo que o país fazia “todo o possível na busca e resgate desses irmãos de luta”. No entanto, no final do dia 28/03, a marinha mexicana publicou um vídeo mostrando a chegada dos veleiros em Havana:

A chegada dos dois barcos ocorre em um momento de grave escassez na ilha causada pelos embargos impostos pelos EUA. Os postos oficiais de combustível não têm gasolina, e o litro chega a ser comercializado por nove dólares no mercado negro.

Faltam produtos básicos em mercados estatais, e hospitais infantis reduziram atendimentos para priorizar apenas os casos mais graves, conforme noticiado pela imprensa local.

Com o desembarque dos veleiros, a flotilha “Nossa América” encerra sua fase de envios programados por mar.