Após eleição, governos bolsonaristas elevam ICMS e contrariam discurso de imposto baixo

Atualizado em 30 de outubro de 2026 às 21:24
Tarcísio Jorginho Mello Celina Leão
Os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina e Celina Leão (PP), do Distrito Federal. Foto: Adriano Machado/Reuters, Divulgação/Eduardo Valente e Pedro Ladeira/Folhapress

Os governos de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Jorginho Mello (PL-SC) e Celina Leão (PP-DF) participaram da aprovação do aumento do ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha em 27 de outubro, dois dias após o segundo turno. A decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) contrasta com manifestações dos três em defesa de impostos menores.

Durante a campanha, Jorginho Mello assinou um compromisso com a Fiesc, em 18 de setembro, de não elevar a carga tributária estadual no mandato de 2027 a 2030. A promessa abrangia a tributação como um todo. Já Celina Leão prometeu não aumentar impostos e defendeu alíquotas menores em um encontro com apoiadores do setor de combustíveis, em 22 de outubro, segundo a própria assessoria.

Tarcísio de Freitas, por sua vez, defendeu a redução do peso dos impostos sobre a população em 27 de outubro, quando as eleições já haviam terminado. Na mesma data, o governo paulista participou da decisão do Confaz. A manifestação do governador foi geral e não incluiu uma promessa específica sobre as alíquotas do ICMS paulista.

Economia · ICMS sobre combustíveis

Discurso de imposto baixo.
Decisão de alta no ICMS.

O que disseram Tarcísio, Jorginho e Celina e como seus governos participaram da decisão nacional sobre os combustíveis.

25 OUT 2026Segundo turno
27 OUT 2026Decisão do Confaz
1º FEV 2027Novas alíquotas
Governador
Retrato oficial de Tarcísio de Freitas

Tarcísio
de Freitas

Republicanos · São Paulo

Promessa ou declaração

27/10/2026 · Após a eleição

Defendeu reduzir o peso dos impostos sobre a população.

Declaração geral sobre o país, sem promessa específica para o ICMS paulista.

Decisão após as urnas

SP integrou os convênios que elevaram o ICMS sobre gasolina, diesel e gás de cozinha para fevereiro de 2027.

Representante listado nos atos:
Samuel Kinoshita

Governador
Retrato oficial de Jorginho Mello

Jorginho
Mello

PL · Santa Catarina

Promessa ou declaração

18/09/2026 · Campanha

Assinou compromisso com a Fiesc de não aumentar a carga tributária estadual no próximo mandato.

Compromisso geral, não restrito aos combustíveis.

Decisão após as urnas

SC integrou os mesmos convênios de aumento do ICMS sobre os combustíveis.

Representante listado nos atos:
Erich Rizza Ferraz

Governador
Retrato oficial de Celina Leão

Celina
Leão

PP · Distrito Federal

Promessa ou declaração

22/10/2026 · Campanha

Prometeu não aumentar impostos e defendeu alíquotas menores em encontro com apoiadores do setor de combustíveis.

Declaração registrada pela assessoria da própria campanha.

Decisão após as urnas

O DF integrou os mesmos convênios de aumento do ICMS sobre os combustíveis.

Representante listado nos atos:
Valdivino José de Oliveira

A decisão foi nacional. A ratificação antecipada dos convênios foi unânime, segundo ato publicado em 29/10. Outros estados também participaram.

Os atos registram representantes dos governos. O recorte não demonstra participação pessoal dos governadores na reunião.

Fontes: ICL Notícias e Confaz

Fotos: Ciete Silvério/Governo de SP (CC BY 2.0); Eduardo Valente/GOVSC; Câmara dos Deputados. Enquadramentos em 1:1

O reajuste foi estabelecido pelos convênios 127 e 128 de 2026, aprovados no Confaz em 27 de outubro e publicados no Diário Oficial da União no dia seguinte. A ratificação antecipada teve concordância unânime das unidades da Federação, conforme ato publicado em 29 de outubro. A decisão também incluiu estados administrados por governadores de outros partidos.

As novas alíquotas entram em vigor em 1º de fevereiro de 2027. O diesel terá a maior alta proporcional do imposto: de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, aumento de 11,11%. No gás de cozinha, o acréscimo será de R$ 0,07 por quilo, equivalente a R$ 0,91 na parcela de ICMS de um botijão de 13 quilos.

Economia · ICMS sobre combustíveis

Quanto aumenta
a parcela de imposto

1º FEV 2027Início dos novos valores em todo o país

Gasolina

Por litro

ICMS atualR$1,57 Novo ICMSR$1,64 Acréscimo por litro+R$0,07 Alta do imposto4,46%

Diesel

Por litro

ICMS atualR$1,17 Novo ICMSR$1,30 Acréscimo por litro+R$0,13 Alta do imposto11,11%

Gás de cozinha

GLP · Por quilo

ICMS atualR$1,47 Novo ICMSR$1,54 Acréscimo por quilo+R$0,07 Alta do imposto4,76%

Botijão de 13 kg

De R$ 19,11 para R$ 20,02

Parcela de ICMS por botijão.

+ R$ 0,91acréscimo no imposto

Valores de imposto, não preços de venda. O aumento do ICMS não demonstra repasse integral e automático ao consumidor.

Fontes: ICL Notícias e Confaz. Percentuais calculados sobre as alíquotas

Em nota divulgada em 28 de outubro, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) afirma que a atualização segue a variação dos preços médios dos combustíveis apurados pela ANP entre fevereiro e setembro de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. O órgão relaciona o procedimento à Lei Complementar 192/2022 e informa que estuda formas de reduzir o reajuste do diesel.

A Lei Complementar 192, sancionada em 2022, atribui aos estados e ao Distrito Federal a definição conjunta de alíquotas uniformes, fixadas por unidade de medida, e permite sua redução. A norma não estabelece os novos valores aprovados pelo Confaz. O aumento amplia a parcela de imposto sobre os combustíveis, mas não significa necessariamente um repasse integral e imediato ao preço pago pelo consumidor.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!