
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou ao governo que não deve criar obstáculos à aprovação da proposta que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. A sinalização foi revelada pela coluna de Mônica Bergamo, na Folha, nesta terça-feira (26).
A informação reduz, ao menos por ora, o temor de governistas de que Alcolumbre pudesse usar a tramitação no Senado para impor nova derrota a Lula. O receio cresceu depois que o senador liderou a votação que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF no mês passado.
Uma autoridade com interlocução direta com Alcolumbre afirmou que a aprovação da escala 5×2 está garantida, se depender do presidente do Senado. O líder do MDB, Eduardo Braga, também confirmou que o tema foi tratado por Alcolumbre com ele e com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
A promessa é dar andamento à proposta assim que ela for aprovada pela Câmara. A avaliação de aliados é que Alcolumbre não criaria problema para uma pauta vista por sua própria base como trunfo eleitoral em outubro.

Apesar da sinalização, o governo ainda trata a postura do senador como imprevisível. Alcolumbre não concorre à reeleição neste ano e poderia, segundo a avaliação de governistas, travar ou atrasar a PEC no Senado, como fez com a CPMI do Banco Master.
O presidente do Senado também abriu espaço nesta terça para receber empresários da Fiesp e de outros setores que defendem uma transição mais longa para o fim da escala 6×1. O grupo foi surpreendido pelo prazo de apenas um ano anunciado por Hugo Motta (Republicanos-PB) e tenta levar a negociação para o Senado.