Após liquidação, BC investiga se Vorcaro atuava como “sócio oculto” do Entrepay; entenda

Atualizado em 28 de março de 2026 às 9:45
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A liquidação extrajudicial da Entrepay pelo Banco Central, anunciada na última sexta-feira (27), ocorre em meio a suspeitas de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, atuaria como “dono oculto” da empresa. Segundo autoridades brasileiras, a estrutura da instituição teria sido utilizada para beneficiar interesses do empresário, hipótese negada por todas as partes envolvidas.

De acordo com o Estadão, o diretor da Entrepay, Antônio Carlos Freixo Júnior, é visto pela investigação como operador do esquema, utilizando a infraestrutura do conglomerado em favor de Vorcaro. Ele teve a indisponibilidade de bens decretada e já havia sido alvo da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes e lavagem de dinheiro no ecossistema financeiro ligado ao Banco Master.

Em nota, o Grupo Entre, controlador das empresas liquidadas, negou qualquer relação societária com o ex-banqueiro. “Não existe qualquer vínculo societário, de controle ou governança entre o empresário e a companhia”, afirmou. A defesa de Vorcaro reforçou a posição e declarou que “nega de forma veemente que Vorcaro seja ‘dono oculto’ da empresa”, sustentando que houve apenas relação comercial entre o Banco Master e a Entrepay.

O Banco Central justificou a liquidação com base no comprometimento financeiro das empresas e em “infringência às normas que disciplinam sua atividade”, além de riscos considerados anormais para credores. As irregularidades estariam ligadas justamente às investigações sobre o chamado ecossistema do Master.

Estande da Entrepay em evento. Foto: reprodução

Vorcaro está preso desde 4 de março, após a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de diferentes núcleos dentro de uma estrutura criminosa. Ele negocia atualmente um possível acordo de delação premiada, segundo pessoas próximas às investigações.

A liquidação da Entrepay também levanta preocupações no mercado de pagamentos. A empresa atuava como adquirente e mantinha relações com bandeiras como Mastercard e Visa, além de exposição indireta ao Nubank.

A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs) informou que acompanha o caso para “acompanhar os fluxos de liquidação e contribuir para a mitigação de impactos sobre estabelecimentos comerciais e demais agentes da cadeia de pagamentos”.

O Nubank afirmou que já havia encerrado suas operações com a Entrepay e classificou a situação como um “caso isolado em uma única credenciadora, sem impacto material para a companhia”. Já a Mastercard não se manifestou até o momento.

Apesar da repercussão, o Banco Central indicou que não há risco sistêmico. O conglomerado Entrepay representa apenas 0,009% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional, sendo classificado como instituição de pequeno porte. Além disso, não há impacto para o Fundo Garantidor de Créditos, já que as empresas não operavam com captação protegida.

Ao todo, foram liquidadas três empresas: Entrepay Instituição de Pagamento S.A., Acqio Adquirência e Octa Sociedade de Crédito Direto. O Grupo Entre afirmou que já vinha conduzindo um processo de descontinuação das operações e reforçou compromisso com a transparência e cooperação com as autoridades.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.