
Após o avanço nas negociações com a União Europeia, o Brasil já está mirando novos horizontes no comércio internacional. Em 2026, o governo brasileiro se concentrará na ampliação e fortalecimento dos acordos comerciais com a Índia, o Canadá e os Emirados Árabes Unidos. Essas parcerias são vistas como essenciais para a diversificação das exportações brasileiras e o acesso a mercados estratégicos em economias emergentes. O objetivo é fortalecer as relações comerciais além do mercado europeu, ampliando a presença brasileira em regiões com grande potencial de crescimento.
No caso da Índia, o governo brasileiro pretende ampliar a cobertura do acordo de comércio preferencial que o Mercosul mantém com o país. Atualmente, a relação é limitada e cobre apenas 14% das exportações brasileiras, com uma modesta redução tarifária entre 10% e 20%. A meta do Brasil é incluir novos produtos, especialmente do setor agropecuário, como carne de frango, feijões, etanol e frutas, além de buscar a redução das tarifas elevadas aplicadas pela Índia.
O mercado indiano representa uma grande oportunidade, já que o país, o mais populoso do mundo, passou por um rápido processo de industrialização e tem uma grande demanda por produtos minerais e alimentos. Apesar das limitações atuais no comércio, o Brasil já demonstrou um grande potencial nas exportações de óleo vegetal, açúcar e petróleo, mas espera expandir essa lista, aproveitando as reformas econômicas que a Índia vem implementando nos últimos anos.
Com relação aos Emirados Árabes Unidos, o Brasil está prestes a concluir as negociações de um acordo de livre comércio com o país árabe. Esse acordo é considerado estratégico, já que os Emirados Árabes são um dos principais investidores na região e possuem uma forte presença nos setores de petróleo e tecnologia. O governo brasileiro espera que o acordo permita uma maior entrada de produtos como carne bovina, carne de frango e açúcar, ao mesmo tempo em que busca reduzir barreiras tarifárias, especialmente em relação aos petroquímicos.

As negociações com os Emirados Árabes avançaram rapidamente, com as duas partes já tendo concluído a quarta rodada de negociações em novembro de 2025. Embora ainda existam alguns pontos a serem resolvidos, como as tarifas de importação para petroquímicos, a expectativa é que o acordo seja assinado em 2026, consolidando uma parceria comercial importante para o Brasil.
Já com o Canadá, o Brasil visa retomar as negociações para um acordo de livre comércio que já haviam sido iniciadas em 2018. A retomada dos diálogos é essencial para o Brasil, pois o Canadá representa um mercado de maior valor agregado, especialmente no setor de mineração. Além disso, o acordo também deverá beneficiar o agronegócio brasileiro, com a redução de tarifas e facilitação do comércio de bens e serviços, além de incentivar o fluxo de investimentos em áreas como energia renovável e infraestrutura.
Em 2026, o governo brasileiro também deve intensificar as conversas com outros parceiros estratégicos, buscando não apenas expandir o acesso a novos mercados, mas também garantir melhores condições para as exportações brasileiras. A diversificação das relações comerciais é vista como uma maneira de reduzir a vulnerabilidade do Brasil à instabilidade econômica global e fortalecer sua posição no comércio internacional.
Por fim, o Brasil tem uma grande oportunidade de ampliar sua presença no mercado global por meio dessas novas parcerias comerciais. As negociações com a Índia, o Canadá e os Emirados Árabes Unidos são fundamentais para que o país aproveite seu potencial econômico e diversifique suas exportações, indo além da dependência do mercado europeu e ampliando sua competitividade no cenário internacional.