Após repercussão negativa de seu ataque ao Nordeste, Zema tenta remendar: “Não é ser contra ninguém”

Atualizado em 6 de agosto de 2023 às 20:08
Romeu Zema e Jair Bolsonaro

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, se retratou da declaração desastrosa contra os nordestinos perpetrada no sábado, dia 5.

“A união do Sul e Sudeste jamais será pra diminuir outras regiões. Não é ser contra ninguém, e sim a favor de somar esforços. Diálogo e gestão são fundamentais pro país ter mais oportunidades. A distorção dos fatos provoca divisão, mas a força do Brasil tá no trabalho em união”, escreveu em suas redes.

Não houve “distorção” alguma. É a terceira vez que Zema, um boçal que não difere de Bolsonaro na essência, apenas no pão de queijo, ataca os nordestinos.

Desta vez, em entrevista ao Estadão, Zema defendeu “maior protagonismo” econômico e político dos estados do Sul e Sudeste através de um tal bloco Cossud (Consórcio Sul-Sudeste). Ainda comparou a região Nordeste a “vaquinhas que produzem pouco”.

“Se não você vai cair naquela história, do produtor rural que começa só a dar um tratamento bom para as vaquinhas que produzem pouco e deixa de lado as que estão produzindo muito. Daqui a pouco as que produzem muito vão começar a reclamar o mesmo tratamento”, afirmou.

“Temos 256 deputados – metade da Câmara – 70% da economia e 56% da população do país. Não é pouco, né? Já decidimos que, além do protagonismo econômico que temos, nós queremos – que é o que nunca tivemos – o protagonismo político”.

O consórcio de governadores da região Nordeste, presidido pelo governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), avaliou que a fala de Zema representa “um movimento de tensionamento com o Norte e o Nordeste” e lembrou que esses estados da Federação vêm sendo “penalizados ao longo das últimas décadas” nos projetos nacionais de desenvolvimento.

“Negando qualquer tipo de lampejo separatista, o Consórcio Nordeste imediatamente anuncia em seu slogan que é uma expressão de ‘O Brasil que cresce unido’. Enquanto Norte e Nordeste apostam no fortalecimento do projeto de um Brasil democrático, inclusivo e, portanto, de união e reconstrução, a entrevista parece aprofundar a lógica de um país subalterno, dividido e desigual”, disse em nota o grupo.

Já o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) comentou no Twitter a entrevista de Zema. “É importante deixar claro que é sua opinião pessoal. O ES participa do Cosud para que ele seja um instrumento de colaboração para o desenvolvimento do Brasil e um canal de diálogo com as demais regiões”, escreveu.