
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu a liberação das emendas parlamentares pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após uma tarde de reuniões com o presidente Lula (PT) e líderes partidários. Em um pronunciamento à imprensa, Lira reforçou que os pagamentos das emendas estão seguindo as normas de transparência exigidas.
As reuniões foram motivadas por uma decisão recente do ministro Flávio Dino, do STF, que suspendeu na segunda-feira (23) os pagamentos de emendas de comissão, justificando que os critérios de transparência não estavam sendo cumpridos conforme determina a lei.

No dia 12, a Câmara enviou um ofício ao governo com a assinatura de 17 líderes partidários, solicitando a execução dos R$ 4,2 bilhões previstos no orçamento de 2024, mas bloqueados desde agosto pelo Supremo.
O documento foi enviado no mesmo dia em que Lira suspendeu reuniões das comissões da Casa, alegando a necessidade de acelerar a tramitação de pautas econômicas no plenário. Presidentes dos colegiados afirmam que as novas indicações de emendas não foram referendadas pelos grupos.
A reunião entre Lula e Lira foi seguida por um encontro do presidente da República com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), para tratar do impasse.
Padilha declarou que a Advocacia-Geral da União (AGU) não pretende recorrer da decisão de Dino. “A AGU fez uma avaliação detalhada, não apontou nenhuma necessidade de recurso a essa decisão, então vai cumprir”, afirmou o ministro.
O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), cotado para presidir a Câmara a partir de fevereiro, participou das discussões e será o responsável por conduzir as negociações para a liberação dos recursos. Segundo interlocutores, Motta ressaltou a importância de entender os impactos da decisão e encontrar uma solução.
Líderes da Câmara consideram a decisão de Dino exagerada. O magistrado agiu após o PSOL protocolar um mandado de segurança no STF. A Câmara planeja rebater os argumentos do partido, divulgando atas que comprovem a regularidade das emendas.
A Secretaria Especial de Assuntos Jurídicos da Presidência (SAJ) respaldou juridicamente o pedido da Câmara, concluindo que não havia irregularidades no ofício enviado.
