
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a captura de Nicolás Maduro e a ofensiva militar americana contra a Venezuela. Segundo relatos de bastidores, Lula avaliou que menções feitas por Trump a Colômbia e Cuba ampliam o risco de instabilidade na América Latina. Com informações da Folha de S.Paulo.
Em reunião remota com ministros e assessores neste sábado (3), Lula pediu monitoramento constante dos desdobramentos da operação americana, sobretudo na fronteira com o Brasil. Auxiliares relataram que o presidente quer compreender em que ambiente político ocorreu a ação e quais serão seus efeitos regionais, antes de qualquer posicionamento adicional do governo brasileiro.
Durante o encontro, integrantes do Planalto avaliaram que a vice-presidente Delcy Rodríguez passou a exercer, na prática, o comando do país. A leitura se baseia tanto em declarações de Trump sobre uma transição quanto na mobilização interna liderada por Delcy, que reuniu o conselho venezuelano ainda no mesmo dia.

Lula defendeu que o Brasil adote uma postura crítica à intervenção dos Estados Unidos, classificada por integrantes do governo como um precedente perigoso para o continente. Esse deverá ser o tom do posicionamento brasileiro na reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, marcada para segunda-feira (5), a pedido da Colômbia.
Segundo participantes da reunião, Trump deixou claro que a operação teve também motivação econômica, ligada à exploração do petróleo venezuelano por empresas americanas. O presidente dos EUA afirmou que Washington irá governar a Venezuela até uma transição e que a produção de petróleo será retomada sob liderança de petroleiras dos Estados Unidos.
Ainda pela manhã, Lula já havia orientado ministros a buscarem informações detalhadas junto a autoridades venezuelanas e recomendado cautela. Em nota publicada nas redes sociais, ele repudiou o ataque à Venezuela, afirmando que ações militares unilaterais violam o direito internacional e abrem caminho para um cenário global de violência e instabilidade, sem fazer defesa direta de Maduro e reiterando apoio a uma saída negociada.