
O deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) reclamou da suspensão de doações a ações de caridade após zombar de um projeto de distribuição de comida no Rio Grande do Sul boicotado. Ele defendeu que consumidores apenas deixem de frequentar estabelecimentos comerciais por divergências políticas.
Ao justificar os boicotes, o parlamentar disse que bolsonaristas podem deixar de consumir ou apoiar empresários e artistas que, na visão dele, atacaram eleitores desse campo político. “Agora a gente não quer mais consumir ou fortalecer pessoas que não condizem com os nossos princípios”, afirmou.
Nikolas separou essa postura da decisão de interromper doações destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade. Para ele, a assistência não deve depender da escolha eleitoral do beneficiário.
“Uma pessoa deixar de ser caridoso com alguém por conta de quem ela votou é errado, e não é uma atitude cristã”, declarou o deputado. Ele também criticou quem cobra solidariedade diante de boicotes comerciais.
➡️ Nikolas apoia boicotes, condena fim de doações e fala em "crise espiritual"
"A gente não quer mais consumir ou fortalecer pessoas que não condizem com os nossos princípios", disse Nikolas nas redes sociais
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— Metrópoles (@Metropoles) October 30, 2026
Chef relatou suspensão de contribuições ao Cozinheiros do Bem
A manifestação ocorreu após a repercussão do caso do Cozinheiros do Bem, projeto que distribui refeições a pessoas em situação de rua em Porto Alegre. O chef Julio Ritta, responsável pela iniciativa, relatou a suspensão de contribuições de empresários e doadores após a vitória de Lula (PT).
Nikolas havia ironizado nas redes sociais a perda das doações e defendeu que os contribuintes têm liberdade para decidir a quem destinam recursos. No vídeo posterior, ele alegou que essa liberdade não transforma o corte de ajuda a necessitados em conduta cristã.
O deputado acusou críticos dos boicotes de adotarem uma “aparência de virtude”. Ele afirmou que essas pessoas não demonstrariam a mesma preocupação diante do que classificou como perseguições a cristãos e conservadores.
Ao final da gravação, Nikolas repetiu que enxerga um componente religioso na polarização política. “E a crise que vivemos é, na verdade, uma crise espiritual disfarçada de crise política. Simples assim”, disse.