Apostas, fuga e prisão: o que se sabe sobre a diarista que matou casal em BH

Atualizado em 2 de julho de 2026 às 10:56
Paola Stefany Neto Cirino
Paola Stefany Neto Cirino. Foto: Reprodução

Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, principal suspeita de matar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, foi presa na manhã desta quinta-feira (02) em Itabira, Minas Gerais. Vídeos de segurança registraram a entrada e a saída dela do prédio onde o casal morreu a facadas, em Belo Horizonte.

A Polícia Civil divulgou que Paola acumulava dívidas relacionadas a apostas e que familiares chegaram a reunir cerca de R$ 40 mil para ajudá-la a quitar um débito. O delegado Gustavo Barletta afirmou que parentes relataram a arrecadação do valor: “A própria família fala que teria levantado entre os familiares R$ 40 mil para ajudá-la a pagar uma dívida”.

O delegado Felipe Freitas disse que os investigadores ainda não esclareceram a origem exata da dívida, mas receberam da família a informação de que o dinheiro teria como destino um agiota. “A gente não sabe a que pretexto foi essa dívida. A família informa que ela teria levantado a quantia de R$ 40 mil para pagar um agiota. Agora, qual o contexto dessa dívida? A gente ainda não tem essa informação”, afirmou.

A tia da suspeita, Nilza Maria Neto, disse que Paola enfrentava problemas com apostas online, incluindo o chamado “Jogo do Tigrinho”. A familiar contou que percebeu mudanças no comportamento da sobrinha e a levou a um hospital psiquiátrico em Belo Horizonte, onde ela iniciou tratamento medicamentoso, mas não manteve acompanhamento regular. “Descobrimos tudo que estava acontecendo. Levei ela ao plantão de um hospital psiquiátrico, onde foi medicada. Foi aí que ela começou a tomar remédio”, relatou.

Polícia aponta latrocínio e investiga rota de fuga

A Polícia Civil concluiu que Cláudio e Maria Clotilde foram vítimas de latrocínio e pediu a prisão de Paola. A investigação afirma que aquele foi o primeiro dia de trabalho da diarista no apartamento do casal, ela havia sido indicada por um parente das vítimas para realizar serviço de limpeza.

Os investigadores situam o início dos ataques por volta do meio-dia de segunda-feira (29). Cláudio Atala costumava sair de casa durante jogos da Seleção Brasileira, mas permaneceu no apartamento para acompanhar a partida porque a diarista trabalhava ali pela primeira vez.

A perícia apontou que o advogado sofreu 17 facadas e que Maria Clotilde recebeu sete golpes. Os dois apresentavam ferimentos compatíveis com tentativa de defesa, dado que entrou na apuração sobre a dinâmica do crime dentro do apartamento.

Depois das mortes, Paola tomou banho no imóvel, trocou de roupa e deixou o prédio carregando bolsas, mochilas e pertences das vítimas, segundo a investigação. As câmeras mostram que ela entrou no edifício com apenas uma bolsa e saiu cerca de oito horas depois com diversos objetos; relógios, joias, celulares e outros bens teriam sido levados.

Policiais recuperaram na tarde de quarta-feira (01), em Vespasiano, os dois celulares das vítimas, o que sustentou a hipótese de motivação patrimonial. As imagens também registraram um carro parado por cerca de 15 minutos perto do prédio antes de Paola entrar no veículo; a Polícia Civil apura se outra pessoa deu apoio à fuga, que passou pela região central de Belo Horizonte e por Ribeirão das Neves antes da prisão em Itabira, onde ela estava com o filho de 6 anos.

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