
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) temem que a decisão de Alexandre de Moraes de proibir Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o país amplie a tensão com o bolsonarismo. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, três magistrados questionam o momento da medida, adotada após a derrota do senador para Lula na eleição presidencial.
Um dos integrantes da Corte afirmou que a determinação pode comprometer os esforços de reduzir o confronto com o tribunal. Segundo ele, parte dos ministros pretendia buscar diálogo com o bolsonarismo após o avanço de seus aliados nas eleições para o Senado.
Outro magistrado considerou inadequado recolher os documentos de viagem de um candidato que acabara de receber 59,8 milhões de votos. A medida poderia ser interpretada como revanche e aumentar a tensão política. Um terceiro integrante do STF concordou com essa preocupação.
A reação ocorre em meio à pressão por processos de impeachment contra ministros do Supremo. 49 parlamentares, entre os eleitos e os que permanecerão no Senado, defendem a abertura de um processo contra Moraes. A Constituição exige 54 votos, equivalentes a dois terços da Casa, para uma condenação com perda do cargo.

Flávio Bolsonaro foi intimado pela Polícia Federal nesta segunda-feira (26) a cumprir a decisão, que também proíbe o contato com o advogado Willer Tomaz. A coluna relata que Moraes considerou declarações de Eduardo Bolsonaro, que havia aconselhado o irmão a deixar o Brasil caso fosse derrotado por Lula.
O senador é investigado em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e vínculos financeiros com Willer Tomaz, sob relatoria de Moraes. Também é alvo de uma apuração sobre o financiamento de Daniel Vorcaro ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, conduzida pelo ministro André Mendonça.
Flávio Bolsonaro afirmou que cumprirá a determinação, mas contestará as restrições e negou ter planejado deixar o Brasil. “Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, declarou.