‘Aproveito a impopularidade para tomar medidas impopulares’: a última barbaridade de Temer. Por Paulo Nogueira

No encontro com jornalistas, ao lado da equipe econômica
No encontro com jornalistas, ao lado da equipe econômica

Temer ainda teve tempo, no finalzinho de 2016, para proferir uma frase destinada à antologia das obtusidades.

Sequer original ele foi. Tomou a sentença do publicitário Nizan Guanaes.

“Um governo com popularidade extraordinária não poderia tomar medidas impopulares”, disse ele nesta quinta num encontro com jornalistas.

“Estou aproveitando a suposta impopularidade para tomar medidas impopulares.”

Ele se referia à reforma na legislação trabalhista e às mudanças na Previdência.

O mais pitoresco foi o uso do adjetivo suposto com o qual Temer se referiu ao apoio da sociedade a seu governo.

Suposta impopularidade?

Um momento: alguém tem dúvida disso? Temer vem batendo sucessivos recordes de rejeição. Cada pesquisa é pior que a anterior.

Não foi tudo.

Numa inversão monumental, ele conseguiu dizer que um governo popular não conseguiria aprovar medidas impopulares.

Desde quando?

É exatamente o contrário.

Administrações populares — sobretudo em seus primeiros meses — são as mais talhadas para passar medidas impopulares.

Como cientista político, aspas, Temer revelou-se uma desgraça ao dizer uma barbaridade daquelas.

Para completar o circo, nenhum dos jornalistas presentes o questionou sobre a abstrusa tese que ele fabricou.

É como se eles, a exemplo do que ocorreu no infame Roda Viva, estivessem dizendo a Temer: “Tamos juntos, presidente!”

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