
A atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito sobre o Banco Master passou a gerar desconfiança entre o Jair Bolsonaro (PL) e seus filhos. No entorno do ex-presidente, há dúvidas sobre os efeitos políticos das decisões e vazamentos recentes envolvendo aliados do bolsonarismo e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.
A avaliação nos bastidores segundo o Correio da Manhã é que Mendonça, indicado por Bolsonaro ao STF, tem conduzido o caso de forma diferente do que parte do grupo esperava. Quando o ministro assumiu a relatoria do escândalo do Banco Master, aliados imaginavam que os primeiros desdobramentos poderiam atingir o governo Lula (PT), adversário de Flávio na disputa presidencial.
Até agora, porém, os principais impactos recaíram sobre nomes ligados ao bolsonarismo, ao centrão e ao próprio pré-candidato do PL. Mendonça começou por não aceitar a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo essa leitura, o acordo estaria desenhado para não comprometer aliados de Bolsonaro.
Depois, a Polícia Federal, que atua sob supervisão do relator no inquérito, avançou sobre o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Presidente nacional do Progressistas, Ciro tentava formalizar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Foi divulgado que Ciro receberia de Daniel Vorcaro entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês. A investigação também aponta que ele apresentou no Congresso um projeto para elevar a R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, medida que poderia beneficiar o Banco Master. Segundo a PF, o texto teria sido elaborado pela equipe de Vorcaro.
O caso também atingiu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que trabalhou contra a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. A suspeita levantada nos bastidores é que a resistência a Messias poderia estar ligada a pressões para conter investigações contra políticos.

O episódio mais recente foi o vazamento da gravação em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro. O valor negociado seria de cerca de R$ 134 milhões para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, segundo o senador. O montante chamou atenção por superar a soma dos orçamentos de produções brasileiras de grande repercussão.
“Cidade de Deus” (R$ 8,2 milhões); “Tropa de Elite 1” (R$ 10,5 milhões); “Tropa de Elite 2” (R$ 16 milhões) “Ainda Estou Aqui” ( R$ 45 milhões); “O Agente Secreto” (R$ 28 milhões), juntos, custaram R$ 107,7 milhões
No mercado financeiro, a avaliação de parte dos apoiadores de Bolsonaro é que a gravação compromete a candidatura de Flávio. Nesse cenário, crescem as especulações sobre Michelle Bolsonaro como alternativa familiar para a disputa presidencial.
A ex-primeira-dama sempre foi vista como nome forte pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Bolsonaro e seus filhos, porém, resistiam à possibilidade de lançá-la candidata. Agora, parte da família passou a desconfiar que a condução de Mendonça no caso Banco Master pode ter beneficiado politicamente Michelle.