Argentina, Bogotá e a vez das mulheres na América Latina. Por Nathalí Macedo

Prefeita eleita de Bogotá, Claudia López (de rosa), comemora a vitória eleitoral

Tivemos o que se pode chamar de um início de semana marcante para os feminismos na América Latina. Na Argentina, Cristina Kirchner é a primeira mulher a ser eleita por três vezes em uma chapa presidencial, e, pela primeira vez na história, Bogotá elege uma prefeita mulher e lésbica.

É a vez das mulheres na Argentina. Cristina uniu forças com o moderado Fernandez e conseguiu ser eleita em primeiro turno, conquistando o eleitorado do centro, suavizando o desgaste de seu modelo político no mercado e voltando ao poder com mais força – e mais feminista. Jogada de mestre.

Sua adesão ao feminismo é pública e um passo expressivo para o movimento feminista no país, dada a sua importância política. A vice-presidente, que na década de oitenta declarava-se “feminina, e não feminista” (quem nunca?) é praticamente uma nova convertida no poder, influenciada por sua filha, uma ativista feminista.

Agora, a esperança é de mais abertura para discussões relacionadas aos direitos das mulheres no país.

Enquanto isso, a contragosto do conservadorismo colombiano, uma lésbica ocupa o segundo cargo mais importante do país filiada a um partido ecologista: um verdadeiro filme de terror em tempo real para os tiozões tradicionais, e uma grata surpresa para os progressistas latinos.

Impossível não observar que o complexo processo político que vem se desenrolando do lado de cá do continente está perpassado inevitavelmente pelas questões de gênero.

É claro que há muitas vertentes e muitas camadas de feminismos na América do Sul, mas há algo peculiar e importantíssimo que se destaca nessa pluralidade: nesses países, a luta feminista tem caminhado para uma recusa ao feminismo neoliberal.

Aparentemente temos buscado tecer uma espécie de feminismo construtivista que tem conseguido alcançar os centros de poder – como a presidência da Argentina e o segundo cargo mais importante da Colômbia, por exemplo.

O desenho histórico dos movimentos ligados ao gênero na América Latina aponta para um feminismo interseccional, sólido e sobretudo politicamente viável – um feminismo que chega ao poder.  Damos passos curtos, é verdade, mas ao menos a nossa direção é certa.

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