Argentina e EUA firmam acordo de patrulhamento conjunto do Atlântico Sul em aliança militar

Atualizado em 31 de maio de 2026 às 17:04
Milei e Trump em cúpula da extrema-direita em Miami

O governo de Javier Milei anunciou em 20 de maio a assinatura de um acordo militar com os Estados Unidos para fortalecer as capacidades de vigilância e controle no Atlântico Sul. O convênio, com duração de cinco anos, prevê o fornecimento de tecnologia americana para modernizar equipamentos da Marinha argentina e autoriza a participação das forças do Comando Sul dos EUA no patrulhamento marítimo da região. O acordo representa riscos à soberania nacional.

A carta de intenção assinada pelo Comando Sul americano e pela Marinha argentina permitirá, em tese, que o país incorpore novas capacidades operacionais, tecnologia avançada e treinamento especializado de pessoal. As medidas incluem a melhoria na detecção, monitoramento e vigilância do espaço marítimo, bem como respostas a atividades ilícitas e ameaças emergentes.

O documento também estipula a integração do Programa de Proteção de Bens Comuns Mundiais (Protecting Global Commons Program), promovido pelos EUA, que considera o Atlântico Sul como um bem comum global, num ataque à autonomia argentina.

O acordo começou a ser implementado com a entrega de sensores multiespectrais, sistemas de comando e controle, comunicação e link de dados para o avião B-200M Cormorán da Marinha argentina. A modernização incluirá ainda duas aeronaves Textron B-360 ER MPA, equipadas para vigilância, identificação de tráfego marítimo e operações contra atividades ilícitas.

Além disso, a Marinha argetina receberá drones de decolagem vertical operáveis a partir de patrulheiros oceânicos e um simulador para treinar tripulações de aviões P-3C Orión.

A iniciativa integra o Programa 333 do Departamento de Guerra dos EUA, que visa aprofundar vínculos militares com países aliados. A embaixada americana em Buenos Aires destacou que a assinatura inaugura uma “aliança estratégica de cinco anos para proteger bens comuns globais e reforçar a segurança regional”.

Por sua vez, o governo argentino destacou que o acordo amplia a presença e as capacidades próprias da Marinha para proteger interesses estratégicos nacionais.

Carlos Bianco, ministro de Governo da província de Buenos Aires, afirma que “o mar argentino não é um bem comum global, mas um espaço onde a Argentina deve exercer soberania e proteger seus recursos”.

Desde sua posse em dezembro de 2023, Javier Milei subordina a política externa argentina à sua relação com os Estados Unidos, encerrando a tradição de uma postura global multipolar.

A posição se manifestou em diversas ações, incluindo apoio a Israel na guerra com o Irã, autorização para exercícios militares de forças americanas em território argentino e visita de Donald Trump a porta-aviões nucleares na costa do país.

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