
A advogada argentina Agostina Páez, acusada de racismo no Rio de Janeiro, poderá deixar o Brasil após pagar R$ 98 mil às vítimas, conforme proposta da Promotoria. O caso ocorreu em janeiro, em Ipanema (RJ), quando, durante uma discussão sobre a conta de um bar, ela chamou um funcionário de “mono” (macaco, em espanhol) e imitou gestos de macaco em direção aos funcionários.
A denúncia foi registrada em vídeo. A defesa de Agostina negou que os gestos tivessem caráter racista, alegando que eram direcionados a amigas da própria argentina como uma brincadeira. A versão foi contestada pelo Ministério Público.
Durante a audiência de instrução e julgamento, foi proposta uma compensação de dez salários mínimos, o que totaliza R$ 194.520, a ser pago às três vítimas.
Embora o julgamento ainda não tenha sido concluído, a advogada de Agostina, Carla Junqueira, informou que a Promotoria aceitou o pedido de revogação das medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar o Brasil.
🚨 BRASIL: piden la prisión preventiva de la argentina Agostina Páez
Está retenida en Río con tobillera electrónica por presuntos gestos racistas en Ipanema y fue imputada por “injuria racial”.
🗣️ “No hay antecedentes de una condena así a un extranjero”, dijo su abogado. pic.twitter.com/HNpR2V5ThH
— El Economista (@ElEconomista_) February 4, 2026
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) ainda mantém o caso sob sigilo. Antes de ser liberada para retornar à Argentina, Agostina precisará depositar metade do valor proposto, ou seja, R$ 97.620.
Após pagar o valor estipulado, Agostina aguarda o despacho do juiz para poder retornar ao seu país. Ela expressou alívio com a possibilidade de voltar para a Argentina e afirmou que seguirá cumprindo as exigências legais até a conclusão do processo. A advogada também declarou que pediu desculpas aos três funcionários durante o julgamento, olhando-os nos olhos e pedindo perdão de forma pessoal.
A advogada de Agostina, Carla Junqueira, afirmou que a Justiça brasileira “reconheceu o erro de um jovem”, mas também entendeu que o ato não define toda a sua vida. Ela alegou que as vítimas demonstraram “generosidade imensa” ao perdoar a advogada, reconhecendo sua transformação pessoal.