
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto foi preso nesta quarta (18) após novas revelações sobre a morte de sua esposa, a policial militar Gisele Alves, que foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento do casal, em São Paulo, no mês passado. Inicialmente, ele alegou que a esposa cometeu suicídio, mas inconsistências mudaram a linha de investigação.
Entre as inconsistências na versão estava uma arma “bem encaixada” na mão da vítima. Um socorrista com 15 anos de experiência relatou que a cena era “estranha” e fora do comum para casos de suicídio, e, por isso, decidiu fotografá-la.
Outro ponto que contribuiu para a mudança da investigação para morte suspeita foi o fato de o cartucho da bala que matou a vítima ter desaparecido do local. O sangue de Gisele também já estava coagulado quando o socorro chegou, sugerindo que ela poderia estar morta muito tempo antes.
O depoimento de uma vizinha reforçou essa suspeita. Uma mulher que mora ao lado da casa da vítima afirmou que ouviu um estampido único e forte às 7h28 do dia em que Gisele foi morta, mas a primeira ligação para os bombeiros ocorreu apenas 7h57, cerca de meia hora depois.

Laudos periciais também mostraram que a cena não foi preservada corretamente. Investigadores identificaram móveis fora do lugar e produtos de limpeza espalhados pelo apartamento.
Esses fatores indicam que o crime pode não ter sido um suicídio, como o tenente-coronel havia alegado, mas sim um feminicídio, o que levou as investigações a avançarem em direção a uma acusação de homicídio.
A prisão de Geraldo foi determinada após o avanço das investigações e a descoberta das contradições. A Polícia Civil agora investiga a possibilidade de que o tenente-coronel tenha manipulado a cena do crime para encobrir sua responsabilidade pela morte de Gisele.