Armas nucleares e expansionismo de Israel: o que preocupa o Brasil na guerra no Irã

Atualizado em 29 de março de 2026 às 10:41
Palácio do Itamaraty
Palácio do Itamaraty – Reprodução

O governo brasileiro está preocupado com as consequências a longo prazo do conflito no Irã, principalmente com relação à proliferação nuclear e às ações expansionistas de Israel. Autoridades do Itamaraty e do Planalto temem que o conflito no Irã possa incentivar outros países a buscar capacidades nucleares próprias.

Em particular, os governos da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, embora aliados dos EUA, têm reavaliado sua confiança na proteção oferecida pelos americanos. De acordo com o governo brasileiro, a guerra pode fortalecer a percepção iraniana de que é necessário manter armamentos de dissuasão, o que representaria um retrocesso para as iniciativas globais contra a proliferação nuclear. Com informações da Folha de S.Paulo.

Em paralelo, o Brasil também teme que a derrota do regime iraniano nas mãos dos EUA e de Israel leve a uma postura mais agressiva de Israel, especialmente com relação à sua política no Líbano e na Cisjordânia. O governo israelense, sob a liderança de Binyamin Netanyahu, poderia buscar expandir suas fronteiras e enfraquecer a Turquia, com a ambição de estabelecer uma “Grande Israel”. O Brasil vê isso como um cenário de instabilidade que pode afetar a paz na região por muitos anos.

Além disso, o governo brasileiro acredita que a guerra no Irã pode estimular Israel a continuar suas operações no território libanês, mesmo após uma eventual retirada dos EUA. A situação é vista como um cenário de ocupação prolongada, com consequências para a diplomacia regional. O Brasil, que ainda mantém sua representação diplomática em Teerã, condenou os ataques aéreos de Israel e dos EUA ao Irã, pedindo uma abordagem mais equilibrada nas negociações e no respeito ao direito internacional.

Coluna de fumaça no Irã após ataque israelense. Foto: AFP

A crescente tensão no Oriente Médio também está provocando fissuras dentro dos Estados Unidos. Embora a maioria do público israelense apoie a guerra contra o Irã, o povo americano se mostra cada vez mais desconfortável com o impacto econômico da guerra, principalmente no preço dos combustíveis. Segundo pesquisa da AP-NORC, 59% dos americanos acreditam que as ações contra o Irã foram excessivas. Isso indica que, enquanto a guerra pode ser popular entre os aliados israelenses, ela não encontra o mesmo respaldo interno nos EUA.

A política externa dos EUA está gerando divisões dentro de sua própria base, com figuras como Tucker Carlson criticando a participação do país na guerra. Esse cenário de descontentamento reflete uma crescente preocupação nos países do Golfo e na América Latina, incluindo o Brasil, que teme os desdobramentos dessa crise geopolítica. O governo brasileiro está atento a possíveis mudanças no foco da administração Trump, com o receio de que o país busque intervenções militares em Cuba para desviar a atenção do Oriente Médio, o que poderia ter repercussões políticas negativas no Brasil.

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