Arolde de Oliveira deixa como legado a certeza de que a vida cobra um preço alto por seguir Bolsonaro

Arolde de Oliveira

Se não estiver na mamata, o preço a pagar por seguir Bolsonaro é alto. Veja-se o exemplo do senador Arolde de Oliveira, que faleceu ontem de covid-19 depois de passar semanas entubado em uma UTI.

Em abril, início da pandemia no Brasil, ele postou um tuíte para dizer que Bolsonaro estava certo: o isolamento social não resolvia e criticou o STF por autorizar que governadores e prefeitos estabelecessem normas sanitárias.

Seis meses depois, a família o enterra pela doença.

Arolde é o tipo de político que ascendeu nos últimos anos, na onda evangélica, da ignorância e da violência institucional — que tem sua face mais visível nas mortes praticadas por policiais nas periferias das grandes cidades.

Ele era deputado federal, reeleito várias vezes, mas não tinha cacife político para cogitar uma cadeira no Senado Federal.

Milionário, era dono de uma das maiores produtoras de música gospel do Brasil, a MK, que mantinha sob contrato a deputada Flordelis, processada sob acusação de mandar matar o marido.

Natural de São Luiz Gonzaga (RS), Arolde foi para o Rio de Janeiro na década de 60, quando ingressou no Instituto Militar de Engenharia (IME), para estudar o Curso de Engenharia Eletrônica.

Arolde era do partido de Gilberto Kassab, o PSD, e deixará em seu lugar no Senado um senador que é conselheiro do Flamengo e, ao mesmo tempo, prestador de serviços do Fluminense.

Típico de nossa época.

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