Arquivamento da denúncia contra pai dos procuradores da Lava Jato é escândalo monumental. Por Rogério Correia

Lava Jato

Repare a ilustração deste texto. Ela mostra uma foto, que ganhou certa fama, da turma da Lava Jato perfilada com pose de heróis e detetives. O homem ao centro, você sabe, é Deltan Dallagnol, coordenador da turma e anteontem salvo de condenação graças à prescrição de seu crime. Mas o que interessa agora é o terceiro da esquerda para a direita: um senhor careca, o mais velho do grupo, que se chama Januário Paludo.

Paludo recebia propina mensal paga pelo assim chamado “doleiro dos doleiros”, Dario Messer. O doleiro disse em mensagens trocadas com sua namorada que pagou propinas todo mês ao procurador Januário Paludo. A grana tinha como objetivo, ainda segundo o que disse Dario Messer à sua namorada, proteger Messer nas investigações da Lava Jato.

Em delação à PF, o “doleiro dos doleiros” afirmou que “nunca foi incomodado pelas autoridades de Curitiba”.

Hoje, quinta 27 de agosto, ficamos sabendo que a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou a investigação e um trecho da delação premiada. Qual? Claro, a que Dario Messer fala das propinas pagas a Januário Paludo.

Antes da PGR ignorar uma denúncia das mais sérias contra um de seus procuradores, também a Lava Jato do Rio (que investigava Messer) da mesma forma não quis saber do assunto. Sequer questionou o doleiro sobre o significado da conversa entre ele e sua namorada.

E esse Paludo é mesmo importante na Lava Jato?

Bem, ele era, ou ainda é, uma espécie de inspirador do grupo. Tanto é que o grupo de whatsapp da turma se chamava “Filhos de Januário” – e claro, Paludo era um dos membros desse grupo telefônico. Homenagem melhor não haveria.

Estamos diante de um escândalo monumental. A cada semana, novos fatos revelam a farsa criada pela Lava Jato nos últimos anos, em conluio com outras instituições nacionais – aliás, a Globo é uma das citadas também por Dario Messer, justamente a Globo que foi, e ainda é, o meio de comunicação mais próximo da Lava Jato.

Um escândalo!