
Os brasileiros bateram novo recorde de contribuições à Previdência Social de Portugal em 2025 e reforçaram o peso da imigração no financiamento do sistema. Dados oficiais apontam que foram pagos € 1,4 bilhão no ano (o equivalente a R$ 8,6 bilhões), consolidando os brasileiros como a principal nacionalidade contribuinte entre os estrangeiros que vivem no país.
Levantamento publicado pelo Jornal de Notícias mostra que, pela primeira vez, as contribuições totais dos imigrantes chegaram a € 4,1 bilhões (R$ 25,4 bilhões) em 2025. Desse montante, cerca de um terço teve origem nos trabalhadores brasileiros, número que reflete o crescimento contínuo da presença e da inserção laboral dessa comunidade.
Dados compilados pela coluna Portugal Giro no jornal O Globo, a partir de informações da Segurança Social, indicam que, desde 2020, os brasileiros já contribuíram com € 5,1 bilhões (R$ 31 bilhões). O valor anual saltou de € 350 milhões (R$ 2,1 bilhões) em 2020 para € 1,4 bilhão (R$ 8,7 bilhões) em 2025, um aumento aproximado de 300% no período, considerando a taxa paga por trabalhadores empregados e autônomos.
Há três anos consecutivos, as contribuições brasileiras superam a marca de € 1 bilhão (R$ 6,2 bilhões). Ao mesmo tempo, os valores retirados em prestações sociais permanecem muito abaixo do total pago. Em 2025, brasileiros utilizaram cerca de € 363 milhões (R$ 2,2 bilhões) em benefícios previstos em lei.

No conjunto dos imigrantes, o padrão se repete. Em 2025, a população estrangeira retirou € 811 milhões (R$ 5 bilhões) em apoios sociais, enquanto contribuiu com € 4,1 bilhões (R$ 25,4 bilhões). Em 2024, os estrangeiros pagaram € 3,6 bilhões (R$ 22,3) e receberam € 688 milhões (R$ 4,3 bilhões). Entre as dez maiores nacionalidades, todas contribuem mais do que recebem.
Esse saldo positivo contraria o discurso de que imigrantes viveriam de subsídios da Previdência portuguesa. A narrativa é difundida pela extrema-direita do partido Chega, cujo líder, o deputado André Ventura, disputa a Presidência da República. Durante a campanha, Ventura espalhou cartazes com a frase “imigrantes não podem viver de subsídios”.
Os brasileiros formam hoje a maior comunidade imigrante em Portugal, com mais de 600 mil pessoas, dentro de um total de cerca de 1,5 milhão de estrangeiros residentes. Além de liderarem as contribuições à Previdência, representam a principal força de trabalho estrangeira no país, com papel central na economia portuguesa.