As altas confusões de Hulk, Marina, Meirelles e Malafaia

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Corta!

 

Já não vinha sendo uma semana das mais felizes para Marina Silva. Queda nas pesquisas, ataques de Dilma e Aécio, a esquisita teimosia com a questão da CPMF (que ela garante ter votado a favor, embora os anais do Senado teimem em registrar o contrário).

Eis que surge um alento: o apoio do ator Mark Ruffalo, ícone da Hollywood liberal, sempre com a barba malfeita, o olhar carente, canastrão gente fina. Uma espécie de Wagner Moura sem arrogância, campeão das boas causas. Ganha dinheiro como o Hulk nos longas da Marvel, mas o prestígio vem com filmes como “The Normal Heart”, dramalhão que lhe rendeu uma indicação ao Emmy pelo papel de um ativista gay.

Não ia render dez votos, mas seu endosso, num vídeo, foi comemorado como um sucesso estrondoso pelos marinistas. “Marina representa um novo tipo de paradigma no mundo. O sistema político como é hoje, não é sustentável”, dizia ele, fofíssimo. MS era uma “dessas pessoas muito muito especiais”.

Bem, não durou 24 horas.

Sabe-se lá quem lhe soprou o que nos ouvidos, mas Ruffalo retirou o que falou num post em seu blog. “Veio até meu conhecimento que a candidata brasileira à presidência Marina Silva pode ser contra o casamento gay. Isso me colocaria diretamente em conflito com ela”.

Prosseguiu: “Eu não posso, de forma consciente, apoiar uma candidata que tenha tal abordagem de extrema direita com relação a questões como casamento gay e direitos reprodutivos das mulheres, ainda que esta candidata tenha intenções certas sobre as questões ambientais.”

No final, pediu desculpas pelos transtornos causados.

A equipe de Marina se pôs, imediatamente, a tentar explicar o inexplicável para Ruffalo através das redes sociais. Mais uma vez, o problema eram as mentiras e calúnias espalhadas pelos adversários. O estrago, porém, já estava feito.

Malafaia deu o beijo da morte em Marina. Nenhum candidato sobrevive incólume ao abraço de um cafajeste medieval. O recuo na questão LGBT foi o primeiro e o mais escandaloso de várias idas e vindas clamorosas.

Hoje, Marina e sua Rede condenaram veementemente o discurso de Levy Fidelix no debate da Record. “Nós manifestamos publicamente o repúdio diante das declarações homofóbicas, segregacionistas e pseudo-científicas do candidato Levy Fidelix”, lê-se no site. O partido (partido?) estuda entrar com uma ação.

Ok. Mas por que agora? Malafaia e Feliciano, dois aliados, detonam homossexuais e ativistas LGBT diuturnamente, numa obsessão doentia, para não dizer suspeitíssima — e Marina nunca levantou uma sobrancelha.

O que explica a indignação seletiva?

A saída de cena de Ruffalo é um vexame para Fernando Meirelles, o gênio do cinema brasileiro que ofereceu seus préstimos à campanha marinista e, suponho, deva ter costurado o contato com Ruffalo, que trabalhou em seu “Ensaio Sobre a Cegueira” (imagino Meirelles, exasperado, no FaceTime: “Que isso, Mark! É grupo dos caras! Confia!”).

Seja lá o que o povo de MS possa alegar, está na hora de assumir alguma responsabilidade sobre as besteiras cometidas. Quando até o Hulk fica nervoso, é porque nem Jesus salva.

 

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