“As classes altas creem que o Exército é delas”: a lição de um general argentino de esquerda. Por Kiko Nogueira

César Milani

O tenente-general César Milani, ex-chefe do Estado Maior do Exército Argentino entre 2013 e 2015, é uma avis rara.

Especialmente para nosotros e os vizinhos platinos.

Peronista, deu uma entrevista ao El País alertando que os exércitos latino-americanos “ainda são muito reacionários” e estão sob enorme influência dos Estados Unidos.

“As classes altas acreditam que as Forças Armadas lhes pertencem”, declara.

Aos 65 anos, garante que seus colegas de alta patente continuam ultra-direitistas.

Quando assumiu em 3 de julho de 2013, proferiu um discurso expressando sua “aspiração das Forças Armadas em apoiar um projeto nacional”.

“Começou minha sentença”, conta ele.

Foi denunciado como participante do “desaparecimento” em Tucumán, em junho de 1976, do recruta Alberto Ledo, um soldado na companhia de que Milani era tenente.

Ledo foi do aparato repressivo da ditadura.

Também foi visitado por um ex-adido da Embaixada da Argentina em Washington, que lhe disse que nos EUA ele era visto como “um germe do chavismo”.

Milani havia sido “flagrado” com uma mãe da Plaza de Mayo.

O Clarín lhe dedicou 25 capas sobre seus supostos crimes — foi absolvido em todos os processos.

É uma saga incrível.

Foi preso em 2017 e transferido de prisão em prisão, sempre isolado, porque presos comuns o ameaçavam de morte e torturadores do regime militar o consideravam um “traidor”.

“Os Estados Unidos, através do Comando Sul, retomam seus velhos truques; não para promover golpes, mas para preservar seu controle sobre o continente e manter os exércitos como forças de exclusão, não de inclusão”, relata.

“O Exército precisa de líderes militares fortes, que possam apoiar projetos de inclusão e saber resistir à interferência sobre os comandantes”.

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