
O avanço das investigações sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a atingir diretamente a campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O que começou como desgaste pontual ligado a doações eleitorais da família Vorcardo agora envolve aliados estratégicos do governador, o grupo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e figuras centrais do Centrão, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A crise explodiu após a divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro cobra Vorcaro pelo pagamento de parcelas destinadas ao financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo as investigações reveladas pelo Intercept Brasil, o banqueiro já desembolsou ao menos R$ 61 milhões para o projeto, enquanto o valor total negociado teria chegado a R$ 134 milhões.
Tarcísio coordena a pré-campanha de Flávio em São Paulo e inicialmente evitou comentar o caso. Depois, passou a defender publicamente que o senador continue dando explicações. “Ele precisa continuar dando os esclarecimentos”, afirmou o governador ao ser questionado sobre o impacto político das revelações.
A relação de Tarcísio com o filme bolsonarista vai além da articulação política. O governo paulista autorizou o aluguel de espaços públicos estaduais para gravações de “Dark Horse”. A produção utilizou áreas do Museu das Favelas, por R$ 57 mil, e do Memorial da América Latina, por R$ 125,9 mil.
A tensão aumentou quando a gestão Tarcísio desclassificou da disputa por uma licitação de comunicação a agência Cálix, pertencente ao publicitário Marcello Lopes, conhecido como Marcelão. Além de aliado próximo de Flávio Bolsonaro e escolhido para coordenar sua campanha presidencial, Marcelão foi citado como integrante do chamado “Plano DV”, estrutura associada a ataques coordenados contra o Banco Central supostamente financiados por Vorcaro.

Tarcísio também passou a conviver com o desgaste provocado pela proximidade política com Ciro Nogueira (PP-PI). O senador foi alvo recente de operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF. Segundo as investigações, Ciro teria recebido pagamentos mensais de até R$ 500 mil ligados ao esquema envolvendo Daniel Vorcaro.
O governador de SP apareceu publicamente ao lado de Flávio Bolsonaro nesta sexta-feira (15), durante evento de lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado em Campinas. O ato foi organizado justamente pelo PP de Ciro Nogueira.
No mesmo período, o partido cancelou um evento que oficializaria o apoio à reeleição de Tarcísio em São Paulo. A legenda alegou conflito de agenda do governador, embora sua assessoria tenha negado ter solicitado qualquer alteração.