As desculpas se estilhaçam no caso “rachadinha”. Por Fernando Brito

18.jun.2020 – Fabrício Queiroz, de boné, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, chega ao IML (Instituto Médico Legal) em São Paulo, após ser preso em Atibaia (66 km da capital)
Imagem: Nelson Almeida/AFP

PUBLICADO NO TIJOLAÇO

POR FERNANDO BRITO

Duas notícias hoje colocam mais pimenta no caso das rachadinhas e tornam mais absurda a decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça de conceder prisão domiciliar à então foragida mulher de Fabrício Queiroz, para “cuidar do marido”.

O depósito de R$ 25 mil na conta de Fernanda, mulher do senador (e filho presidencial) Flávio Bolsonaro, para uitar a entrada da compra de um apartamento é algo que soa tão estranho quanto o cheque de 24 mil depositado na conta de MIchele Bolsonaro, algo que ainda vai dar muito pano para mangas.

E o “rascunho” de um futuro depoimento de Márcia, a “cuidadora” de Queiroz, que O Globo descreve com requintes de sadismo:

Márcia escreveu as anotações de modo a enumerar alguns pontos, como se fosse uma ordem de argumentos. Anotado como item número um, está “fazer ponte entre a população e o político” e, em seguida, ela escreveu “nosso deputado nem sempre podia estar com seus eleitores por diversos compromissos. E aí que nós acessores (sic) fazemos essa parte entre eletor (sic) e deputado”. Logo em cima desse trecho, a mulher de Queiroz anotou “Legislar” e fez uma flecha para “fazer lei do estado”. Junto também escreveu que o “acesor (sic) é responsável por diversas atividades”.
Já no número dois, ela escreveu que “éramos escolhido (sic) para representar o deputado em eventos importantes as quais (sic) ele não podia comparecer, anotando as demandas da população e dando feedback aos cidadãos (por exemplo)”.

Agora, ao que parece, ela terá tempo de decorar quais eram as suas fictícias funções no gabinete e combinar, até decorar, todas as desculpas que o marido puder inventar para explicar a sua inacreditável movimentação financeira.

Jair e Flávio permanecem em silêncio, mas é curioso que outro silêncio deixe de ser apontado: o de Sérgio Moro, que continua sem dizer o que o presidente queria da Polícia Federal, durante o mais de ano em que tentou, diz Moro, manipulá-la.

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