As digitais de Serra nos malfeitos da Sabesp e na crise da falta de água em SP

Ele
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Há um personagem tentando sair de fininho, como a Pantera Cor de Rosa quando escapa na ponta dos pés, da mixórdia da Sabesp e da crise da falta de água em São Paulo.

Trata-se de José Serra.

Em 2009, quando ele era governador, um alerta foi disparado. O relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê registrava que o Sistema Cantareira apresentava altas garantias de atendimento, mas tinha “déficits de grande magnitude”. Havia uma série de recomendações. Não saberemos se a Sabesp seguiu qualquer uma delas. Provavelmente, não.

Serra não foi chamado a responder por nada. Continua posando de gestor magnífico. Em novo artigo no Estadão, escreve que “memória informa e também é política”. Vale para os outros, não para ele.

Ele não é uma nota marginal no colapso da Sabesp. A ex-presidente Dilma Pena, por exemplo, aquela que falou que não avisava a população da gravidade da situação por “orientação superior”, foi indicação sua. Dilma foi sua secretária de Saneamento e Energia.

Depois que prefeitos do oeste da Grande São Paulo reclamaram do saneamento “caótico”, ele chegou a admitir que a companhia era “o problema número 1 da região”. O que fez?

Propaganda.

De acordo com um levantamento do Estadão, cinco estatais bateram recordes de despesas com publicidade em 2009. Sabesp, Metrô, CPTM, CDHU e Dersa gastaram 340,6 milhões de reais. A Sabesp foi a que mais gastou.

Foi aberta uma sindicância do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para apurar irregularidades numa campanha veiculada nacionalmente. O valor total do contrato com duas agências de publicidade era de 44 milhões. Na época, o TRE do Rio pediu às TVs Globo e Bandeirantes informações a respeito. A Globo levou, sozinha, 7,45 milhões naquele verão.

Gente do Brasil todo, cujos estados eram atendidos por outras empresas, ficaram cientes da competência da Sabesp — e, por extensão, do homem que concorreria à presidência no ano seguinte.

Para quem combate com fervor jihadista o “aparelhamento”, Serra também usou a estatal como cabide de empregos.

Antero Paes de Barros, ex-senador de Mato Grosso pelo PSDB, foi nomeado conselheiro. Barros despachava diretamente de Cuiabá. (Serra, aliás, já havia usado desse expediente para dar uma mão ao ex-deputado Roberto Freire, aliado de todas as horas, premiado com o cargo de conselheiro em outras estatais).

Na Folha, o presidente da Sabesp desde janeiro Jason Kelman atribuiu os problemas a fatores esotéricos. “São Pedro tem errado a pontaria, tem chovido, mas não onde deve chover”, escreveu. É uma insistência em subestimar a inteligência alheia. Como diz o senador José Serra, memória informa e também é política.

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