As duas fotos do ano de 2012

Uma quebrou recordes nas redes sociais, e fez história; a outra logo vai ser esquecida.

Erlen e o lugar em que dorme

E então temos duas fotos do ano. Uma é do Twitter e do Facebook, a outra é do Diário. A primeira é de Obama com Michelle, o abraço da glória e do alívio, e talvez do amor, depois da vitória sobre, quem mesmo?, Mitt Romney nas eleições presidenciais americanas. A foto, com a inspirada e minimalista legenda “mais quatro anos”, bateu recorde de retuítes (740 000) e de compartilhamentos no Facebook (3,6 milhões). A do Diário é mais humilde. Bem mais. E é brasileira, legitimamente nacional, 100% verde-amarela.

O abraço que quebrou recordes

Apareceu num livro de um fotógrafo chamado James Mollison em que são retratados quartos de crianças de várias partes do mundo. Mollison decidiu locar as fotos nos quartos porque foi no seu próprio, na infância, que viveu seus dias mais marcantes. Qual de nós não se lembra de nosso quarto de criança? (Lembro do meu agora, e a imagem de meu pai e minha mãe me faz parar por alguns momentos este texto que escrevo.) Mollison descobriu uma coisa: muitas crianças simplesmente não têm quarto de dormir. Como a brasileira Erlen, moradora de uma favela do Rio. É de Erlen a foto do ano escolhida pelo Diário. Ao ser fotografada, Ellen estava no final de sua terceira gravidez aos 14 anos. O primeiro bebê nasceu morto quando ela tinha 12 anos. Aos 13, na segunda gravidez, o bebê morreu com poucos dias de vida. E então ela foi fotografada na terceira gravidez. Ao fotógrafo contou que sempre dormiu no chão. Quando a barriga ficou pronunciada, a mãe cedeu a Erlen um lugar numa cama da favela. A Mollison ela disse que queria ser veterinária, e morar em algum outro lugar. Que terá sido da terceira gravidez de Erlen? Mas francamente: algum de nós realmente se importa?

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