As duas lutas de “Barba Lula” na Alesp. Por José Cássio

O amigo do ex-presidente assumiu a liderança do PT na Alesp

O mineiro Teonilio Monteiro da Costa, além de lutar pelo não fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, tem um outro grande desafio neste ano. Convencer o presidente Cauê Macris a chamá-lo pelo nome parlamentar que adotou na Assembleia Legislativa de São Paulo: Teonilio Barba Lula, ou simplesmente Barba Lula.

Barba Lula acaba de assumir a liderança do PT na Alesp, na vaga que era de Bete Sahão.

Seu objetivo é emplacar pelo menos uma das cinco CPIs que serão instaladas ainda neste semestre.

Sua menina dos olhos é a da Renúncia Fiscal. Objetivo: investigar os R$ 20 bilhões que o governo do Estado abriu mão nos últimos anos sem informar deputados e sociedade sobre critérios e a contrapartida das empresa beneficiadas.

Amigo pessoal do ex-presidente – Lula é eleitor declarado dele -, Barba Lula sabe do que está falando. Como metalúrgico, trabalhou 25 anos na Ford – antes da criação da Autolatina já tinha 8 anos de carteira assinada na Wolks.

“Minha trajetória de vida é um pouco parecida com a do Lula, talvez por isso ele se identifique comigo”, diz. “É um orgulho fazer parte do círculo pessoal do presidente”.
Na semana passada, Lula escreveu uma carta aos trabalhadores para falar da empresa que se instalou há 50 anos no ABC e ajudou a região a ostentar, por décadas, o posto de maior polo automotivo do Brasil.

“Recebi com muita preocupação a decisão da Ford de não recuar e fechar milhares de postos de trabalho, sem a menor responsabilidade social, após anos de incentivos fiscais que beneficiaram sua operação em nosso país”, disse o ex-presidente.

Segundo Barba Lula, esses incentivos passam de R$ 27 bilhões. “É mais que a metade de todo o investimento que a empresa está fazendo na reestruturação de sua marca em âmbito global. Estão tirando dinheiro do povo brasileiro para esse investimento e não estão dando nenhuma contrapartida”.

Em sua carta aos trabalhadores, Lula diz que a Ford está “dando as costas a quase 30 mil pais e mães de família que dependem de sua cadeia de produção”.

Para piorar, o Governo de São Paulo não está colaborando.
“João Doria, invés de chamar para si a responsabilidade, já que é o governador do Estado, está dando uma de corretor”, ironiza Barba Lula. “Ele não cobra nada da Ford. Ao contrário, fica imaginando uma maneira de vender a fábrica ou promover a ocupação da planta com alguma atividade possível, sem considerar o drama dos 30 mil trabalhadores”.

Com relação ao governo federal, a sensação é mais ou menos parecida.

Uma comissão do Sindicato foi ao vice Hamilton Mourão, mas o saldo que ficou foi a declaração de Donald Trump quando se encontrou com Bolsonaro.

“Ele disse que o Brasil trata mal as empresas americanas”, contou Barba Lula, explicando que é inútil imaginar algum tipo de solidariedade do Governo Bolsonaro.

Enquanto isso, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, do qual o deputado foi diretor na gestão de Luiz Marinho, continua batalhando para demover a empresa da ideia de encerrar as atividades da planta.

“Estamos usando todos os recursos para impedir”, diz Barba Lula. A Ford anunciou que o encerramento definitivo será no final do ano.

Na Assembleia, a definição das CPI´s acontece nas próximas semanas.

O PSDB quer emplacar comissões que não incomodem o governador João Doria, mas Barba Lula está confiante pois conseguiu um acordo importante com o líder do PSL, Gil Diniz – o partido de Jair Bolsonaro tem a maior bancada da Casa, com 15 deputados.

Os deputados do PT assinaram a CPI de Paulo Preto do PSL e os liderados de Diniz retribuíram assinando o pedido de investigação do mesmo Paulo Preto protocolada pelos petistas.

“É um avanço”, comemora Barba Lula. “Por mais divergência ideológicas que a gente tenha, bom saber que o PSL inicia com uma postura de independência em relação ao Executivo”.

Com relação a Cauê Macris, o líder foi ao microfone de aparte na sessão de 15 de março, quando os novos deputados tomaram posse.

Ao ser convocado para declinar seu voto, e ser chamado de Teonilio Barba pelo presidente, o petista foi polido mas incisivo.

“Espero que nas próximas oportunidades Vossa Excelência se refira a mim pelo meu nome parlamentar registrado nesta Casa”, disse. “Teonilio Barba Lula, ou apenas Barba Lula”, completou.

Até o fechamento dessa matéria, na sexta, 22, Barba Lula não havia conseguido garantir a CPI dos Incentivos Fiscais tampouco convencer o presidente da Alesp.

“O Cauê é cara de diálogo”, desconversa o deputado eleito com 92 mil votos. “Ele vai acabar assimilando o nome correto”.

 

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