As empresas “petistas” que bolsonaristas querem boicotar

Atualizado em 28 de outubro de 2026 às 15:25
Bolsonaristas citam empresas “petistas” e propõem boicote. Foto: Reprodução

Apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) passaram a divulgar em redes sociais e grupos de WhatsApp listas que sugerem boicote a empresas, comércios e profissionais que teriam defendido a candidatura de Lula (PT). A mobilização começou após a vitória do petista no segundo turno das eleições.

Os materiais incluem grandes empresas, como Itaú e Ipiranga, e pequenos negócios. Uma das listas compartilhadas entre moradores de Petrópolis, no Rio de Janeiro, reúne quase cem estabelecimentos e profissionais liberais como possíveis alvos do boicote.

Na cidade serrana, Flávio Bolsonaro recebeu 57,89% dos votos no segundo turno, contra 42,11% de Lula. As listas citam mercadinhos, docerias, padarias, livrarias, dentistas, fisioterapeutas e advogados.

Comerciantes relataram preocupação com os efeitos da campanha. Uma empreendedora do interior de São Paulo afirmou que era contrária ao governo Lula, mas declarou apoio ao petista em seu perfil pessoal em defesa da democracia.

Campanha também mira Nordeste e trabalhadores que votaram em Lula

Lista de boicote a empresários de circula em grupos bolsonaristas no WhatsApp. Foto: Reprodução

Bolsonaristas também compartilharam publicações que pedem boicote a viagens ao Nordeste e a doações destinadas a pessoas mais pobres. Os autores das mensagens dizem querer mostrar aos eleitores de Lula “como é dolorido ver empresas fechando, falindo ou indo embora do Brasil”.

A ofensiva incluiu ataques e ameaças contra trabalhadores que votaram no petista. No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL) incentivou empregadores a discriminar, demitir ou perseguir funcionários por suas convicções políticas.

A Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro atendeu a um pedido do Ministério Público do Trabalho e proibiu a parlamentar de manter a prática. Entre a meia-noite de segunda-feira e 17h45 do dia 27, o MPT recebeu 530 denúncias de assédio eleitoral contra trabalhadores em diferentes situações.

O Itaú afirmou que mantém posicionamento “estritamente apolítico e apartidário” e que não apoia candidaturas, partidos ou grupos políticos. O banco também disse que manifestações de acionistas, conselheiros ou colaboradores expressam posições individuais; a rede Ipiranga não se manifestou.

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