As instituições etc etc: general assessor de Toffoli faz parte de grupo de suporte a Bolsonaro. Por Kiko Nogueira

O general Azevedo e Silva, assessor especial de Toffoli no STF

Jabuti não sobe em árvore. Se está lá, Dias Toffoli o colocou.

Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército que vive dando pitacos inconstitucionais sem ser incomodado, indicou um general para o gabinete na presidência do STF.

Fernando Azevedo e Silva, ex-chefe do Estado-Maior, que acabara de ir para a reserva, é o nome da fera.

O ex-chefe da Autoridade Pública Olímpica, segundo a Época, faz parte de um grupo de “suporte” — entenda como quiser — à candidatura Bolsonaro.

Participou de uma “reunião que formulou propostas para a campanha e ofereceu um almoço, em sua casa, ao vice da chapa”.

Mourão esteve em Brasília dois dias antes da posse de Toffoli no Supremo para se encontrar com os colegas. 

“Mourão é meu amigo do Alto-Comando (do Exército). Não participo diretamente da campanha. São sugestões para o Brasil. Foi um almoço com velhos camaradas”, disse à revista. “O voto é secreto… mas a candidatura de Bolsonaro é viável”.

Prossegue a matéria:

O grupo frequentado pelo assessor especial de Toffoli é capitaneado pelo general reformado Augusto Heleno, um dos militares mais próximos a Bolsonaro e um dos defensores do que Mourão diz.

Heleno quase virou vice de Bolsonaro e tem afinação com Mourão. “O que ele fala não tem vínculo com autoritarismo. Em caso de caos institucional, está previsto na Constituição que as Forças Armadas sejam acionadas, diante de um descontrole. Carimbaram isso como ‘autogolpe’”, disse Heleno.

“Pode ser que aconteça, mas ninguém quer que aconteça”, continuou. O general concordou que a caracterização de um estado de anarquia é subjetiva: “Essas decisões são subjetivas. Não há receita de bolo. É pura intuição.”

Dois cientistas políticos da Universidade de Brasília, Antônio Flávio Testa e Paulo Kramer, têm a função de “melhorar a mensagem” da turma.

O golpe que implantou a ditadura militar em 1964, por exemplo, ganhou uma nova roupagem: vai ser abordado como um “contragolpe” à ofensiva comunista naquele momento, conforme as elaborações dos cientistas políticos.

Temos, portanto, um colegiado de militares “notáveis” participando da campanha do ex-capitão nas barbas do presidente do STF.

Às favas os escrúpulos.

Em circunstâncias normais, deveria ser caso de demissão.

Mas, vamos lembrar novamente, não estamos em circunstâncias normais.

Nunca as conspirações no Brasil foram tão explícitas. Vimos a novela vagabunda ao vivo com Temer e sua turma.

Caso ganhe o favorito de Silva, ele estará ali com Toffoli assegurando que aberrações como “autogolpes” sejam devidamente acochambradas pelos ministros sem choro.

Mas e se o vencedor for Haddad? Silva vai aceitar que seu adversário assuma?

Certamente Dias Toffoli já conversou com o estafeta sobre isso e podemos todos dormir tranquilos.

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