
Davi Alcolumbre atuou nos bastidores para derrotar Jorge Messias na votação do Senado que analisou a indicação do advogado-geral da União ao Supremo Tribunal Federal. Segundo relatos, houve “dezenas de ligações” do presidente da Casa a parlamentares ao longo do dia para pedir votos contra o nome escolhido por Lula. Com informações de Daniela Lima, no Uol.
A movimentação já era percebida entre governistas antes mesmo da abertura da votação secreta, quando aliados do Planalto passaram a admitir reservadamente que a contagem de votos estava muito abaixo da margem de segurança divulgada pela articulação oficial.
Não seria a primeira vez que Alcolumbre cria obstáculos a uma indicação presidencial ao Supremo. Em 2021, quando presidia a Comissão de Constituição e Justiça, ele segurou por meses a sabatina de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, retardando a tramitação antes de liberar a análise.

A ofensiva em torno de Messias produziu uma crise política imediata. Além de impor a Lula uma derrota institucional rara, a operação abriu um novo patamar de confronto entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado às vésperas do calendário eleitoral.
O cenário se confirmou no plenário: Messias foi rejeitado por 42 votos contrários e 34 favoráveis, abaixo dos 41 necessários para a aprovação. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado barrou uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal.
Horas antes, o advogado-geral da União havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça por 16 votos a 11. A reversão posterior expôs que a articulação do governo não conseguiu neutralizar a resistência organizada nos bastidores contra o nome de Lula.