As mentiras sobre retomada da economia que contam a você desde o golpe contra Dilma Rousseff. Por Joaquim de Carvalho

Shopping vazio na véspera de Natal

A temporada de mentiras foi inaugurada em março de 2016, quando o empresário Flávio Rocha, dono da Riachuelo, disse  em entrevista à BBC, quando perguntado sobre o que aconteceria se Dilma Rousseff caísse.

Ele assegurou que a retomada econômica seria instantânea e citou a Argentina como exemplo, àquela altura sob novo comando de Maurício Macri, que, depois de implementar ajuste fiscal, conseguiu um voo de galinho. A economia cresceu um pouco e logo foi para o buraco, jogando quase metade da população argentina na pobreza.

“É o que está acontecendo na Argentina”, disse, como se as perspectivas lá fossem de crescimento sustentável.

“Não precisou de dez dias para a criação de um círculo virtuoso. A partir do momento que você sinaliza que está entrando em campo um governo que entende as delicadas engrenagens do livre mercado e vai colocar a sua sabedoria a favor do desenvolvimento, o fluxo de investimentos se restabelece e a confiança desabrocha”, afirmou.

Rocha herdou o grupo econômico que dirige. Se dependesse de sua capacidade de análise, certamente não conseguiria tocar um quiosque na praia.

Ministro da Fazenda do governo Temer, hoje secretário do governador João Doria, Henrique Meirelles também engambelou o povo, quando defendeu a aprovação da emenda constitucional que congelaria os gastos públicos por 20 anos — exceto aqueles usados para o pagamento do serviço da dívida.

“A confiança de consumidores, investidores e empresários já está retornando”, afirmou.

“Já notamos os primeiros sinais dessa mudança. Confiamos que o Congresso aprovará essa medida que vai equilibrar as contas públicas. Este é o caminho para a volta do crescimento de nossa economia e para a criação dos empregos de que o nosso povo precisa.”

Faz mais de três anos que ele fez a promessa, e o Eldorado prometido não surgiu, embora os muito ricos no Brasil tenham aumentado seu patrimônio.

Na mesma época, ao defender a reforma trabalhista, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, disse que a sociedade já tinha recuperado a confiança no governo, “criando condições para retomar os investimentos e, consequentemente, o crescimento do Brasil”.

Para ele, já havia “um maior interesse dos investidores”. Era mentira, como se sabe. Três anos depois, o desemprego aumentou, e não há sinais de retomada vigorosa da economia, exceto para o presidente da Associação dos Lojistas de Shopping, Nabil Sahyoun.

Segundo lojistas como a rede TNG, presente em quase todos os grandes shopping centers, Sahyoun mentiu, um caso que pode parar na Justiça.

Na época em que pressionava o Congresso Nacional pela reforma da Previdência, em maio deste ano, Paulo Guedes prometeu a retomada imediata de investimentos logo depois que seu projeto fosse aprovado.

“Com a reforma da Previdência, teremos um horizonte fiscal de 15, 20 anos de estabilidade e os investimentos privados serão retomados”, afirmou, ao ser confrontado com os números sobre investimentos nos primeiros três meses do governo Bolsonaro — houve redução de 1,7%, em comparação com o quarto trimestre de 2018.

A reforma da Previdência foi aprovada há mais de dois meses, e não houve a retomada de investimento, e a razão é óbvia: empresário só investe ou contrata diante da perspectiva de vendas.

É o aquecimento do mercado que atrai novos investimentos. Mas as reformas até aqui aprovadas vão na contramão desse princípio: tiraram dinheiro de circulação, seja na forma da redução de investimentos públicos ou do encolhimento da massa salarial, em razão do desemprego e das reformas que reduziram a massa salarial e o valor relativo das aposentadorias.

O único setor que se deu bem com as reformas é aquele que recebe do estado na forma de juros e amortizações da dívida pública.

De acordo com levantamento da Auditoria Cidadã da Dívida, em 2018, 40,6% da receita do governo federal foram usados para o serviço da dívida pública.

Saúde ficou com 4,09% e educação, com 3,62%.

Esta é a realidade. O resto é papo furado.

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