As ondas de Lula não fizeram muita marola. Por Moisés Mendes

Atualizado em 12 de janeiro de 2026 às 7:30
Lula e Janja em Restinga de Marambaia. Foto: Reprodução

Repercutiram protocolarmente, apenas como notícia, as declarações poéticas e metafóricas de Lula sobre as ondas da Restinga da Marambaia, onde o presidente passou alguns dias.

Caminhando na praia da restinga com Janja, Lula viu o que pode acontecer com uma ponta de terra que avança em direção ao mar. Isso é uma restinga.

E Lula viu então, mesmo sem cajado e sem a intenção de atravessar aquele mar, que é possível dar uma de Moisés de vez em quando.

Foi isso o que ele disse, não no sentido de desafiar as águas, mas de entender seus movimentos, apontando para o chão e vendo que as ondas vinham de um lado e de outro, enquanto era filmado.

 

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Um post compartilhado por Janja Silva (@janjalula)

“O que é sagrado aqui é a gente perceber mais um milagre da natureza. O que é extraordinário aqui é que vocês vão perceber que tem onda que vem de lá para cá (apontando para a direita) e onda que vem daqui para cá (da esquerda). Essa é uma demonstração extraordinária até para acabar com o preconceito entre esquerda e direita. Aqui, a onda que vem da direita se junta com a que vem da esquerda e constrói o mar. Essa é uma demonstração extraordinária da virtude, da natureza que faz aqui o que a gente não imagina que seja possível de ser feito”.

A fala é tão boa que parece ter sido pensada, que Lula levou o roteiro. E ali decidiu apresentar a poesia quando chegou ao fim da restinga e começou a caminhar sobre as águas.

Mas é possível que ele tenha feito tudo de improviso? Pode. Porque assim é que Lula funciona.

Mas as ondas não chegaram a render abordagens mais interessadas, como provocação que foram. O que Lula quis dizer, por óbvio, é que ele vai continuar convivendo com esquerda e direita, sem preconceitos.

E que, se não for assim, ele não governa e não vence a eleição no ano que vem. Foi um recado a muita gente do PT, que pede um governo mais “esquerdista”, e aos que continuam criticando o excesso de concessão aos partidos da direita.

Ir à praia faz bem para o corpo, a alma e a política. Sem falar que Lula abalou a extrema-direita com aquele corpinho de guri, mas aí a pauta já é outra.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/