As três opções de Lula após derrota de Messias, segundo um dos maiores juristas do país

Atualizado em 29 de abril de 2026 às 22:11
Jorge Messias

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal abriu uma nova fase de definição política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após a derrota no Senado, o jurista Lenio Streck, um dos maiores do país, resumiu para o DCM o cenário em alguns caminhos possíveis.

“Lula tem três opções: a) não indicar ninguém; b) indicar uma mulher negra — o Senado não terá coragem de rejeitar; e c) indicar alguém que a direita aceite e até queira. Não há quarta hipótese. Colem isso na Frigidaire”, diz.

Messias foi rejeitado pelo plenário do Senado por 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, em votação histórica.

Para ser aprovado, precisava de ao menos 41 dos 81 votos. Trata-se da primeira vez, desde 1894, que uma indicação presidencial ao STF é barrada pelos senadores.

Com a decisão, o presidente terá que apresentar um novo nome para a vaga, que passará novamente por sabatina e votação no Senado, sem prazo definido para isso ocorrer.

Há também a possibilidade de que a Casa adie a análise de um novo indicado para depois das eleições de outubro.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Jorge Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11, no placar mais apertado registrado desde a redemocratização.

Logo após o resultado, Messias se reuniu com Lula no Palácio do Alvorada. Também participaram do encontro o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. A reunião marcou o início das discussões sobre os próximos passos do governo.

Antes mesmo da divulgação oficial, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), antecipou o resultado ao comentar com Jaques Wagner: “Acho que ele vai perder por oito”. A fala foi captada pela transmissão da TV Senado e confirmada posteriormente por sua assessoria, que atribuiu a previsão à experiência do parlamentar em votações.

O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ), atualmente suspenso, afirmou que o resultado pode se reverter politicamente a depender da próxima escolha. “Essa derrota na indicação ao STF pode se transformar em uma vitória, a depender da escolha política a ser feita a partir de agora. Se a indicação for de um nome ligado ao Centrão, perdemos todos. Se Lula indicar uma jurista negra com uma trajetória inegável em defesa da classe trabalhadora, ganhamos a batalha pública. O Congresso inimigo do povo quer briga? Pra cima deles!”, escreveu no X.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.