
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) analisa um relatório que sustenta que Juscelino Kubitschek pode ter sido assassinado em uma conspiração política ligada à Operação Condor, com possível aval dos Estados Unidos, e não morto em um acidente de carro.
A tese contraria a conclusão da Comissão Nacional da Verdade, que em 2014 tratou a morte do ex-presidente como acidente. O novo estudo foi produzido pela historiadora Maria Cecília Adão e reúne 114 itens que, segundo o Ministério dos Direitos Humanos, sustentam a hipótese de ação política.
A hipótese já havia sido defendida em 2013 pela Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara de São Paulo. O ex-vereador Gilberto Natalini, que conduziu as investigações no colegiado municipal, afirmou que Juscelino Kubitschek e seu motorista foram vítimas de uma conspiração ligada à Operação Condor.

Entre os pontos citados no relatório estão as mortes de JK, Carlos Lacerda e João Goulart em circunstâncias consideradas misteriosas no intervalo de um ano. Os três líderes se aproximavam politicamente em meio à ditadura militar e poderiam articular uma frente de oposição ao regime.
O documento também levanta suspeitas sobre a chegada rápida ao local do acidente de um médico ligado ao general Golbery Couto e Silva. Segundo Natalini, esse médico teria retirado pertences de JK, incluindo diários do ex-presidente. Há ainda questionamentos sobre uma possível sabotagem no veículo em que estavam JK e seu motorista.
Após o golpe de 1964, Juscelino Kubitschek teve os direitos políticos cassados pelo regime militar. A perseguição ao ex-presidente é atribuída, entre outros fatores, à sua alta popularidade e à possibilidade de disputar novamente a Presidência caso houvesse eleição direta em 1965.