Assassinato de Soleimani foi um ato terrorista dos EUA. Por Aristóteles Cardona Júnior

Parte de carro de Soleimani após ataque

PUBLICADO NO BRASIL DE FATO

POR ARISTÓTELES CARDONA JÚNIOR

Imagine você, leitor, o seguinte cenário: dia 3 de janeiro, o principal general do exército dos Estados Unidos acaba de desembarcar numa manhã de sol no aeroporto da capital de algum país aliado. Toma o seu café-da-manhã ainda no aeroporto, pois em poucos minutos precisa participar de algumas reuniões com organizações e movimentos. Porém, no trajeto entre o aeroporto e o seu local de reunião, bombas do Irã, comandadas por drones, destroem todo o comboio matando a todos, incluso o general.

Esta cena narrada acima é quase verídica. Na realidade, invertem-se apenas os atores. Os ataques partiram dos Estados Unidos e o general morto chamava-se Qasem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã. Por ter sido uma ação estadunidense poucos são os meios de comunicação que chamam o ato pelo nome correto: terrorismo. A ação que matou o general Soleimani foi um ato terrorista e isto precisa ficar evidente.

E é em meio a esta aquecida conjuntura internacional que começamos o ano de 2020. Nunca é fácil para nós, brasileiros e brasileiras, compreendermos o que se passa no Oriente Médio. Isso acontece porque aprendemos muito pouco sobre culturas tão ricas e importantes como às daquela região, quase sempre nos exposta com visões preconceituosas ou bastantes limitadas.

Antes de tudo, é preciso compreender que em 1979, no Irã, houve uma revolução que derrubou a ditadura do Xá Mohammad Reza Shah, ligado aos Estados Unidos. Desde então, o Irã tem mantido uma postura no mínimo independente com relação ao país presidido por Trump.

O assassinato tem sido justificado como uma ação “defensiva”, classificando o general iraniano como terrorista. Os EUA vem acusando também o Irã de financiar organizações terroristas, esquecendo de mencionar que possui a Arábia Saudita como uma de suas principais aliadas no Oriente Médio, país este que possui uma das mais sanguinárias e cruéis ditaduras daquela região.

OS EUA e aliados, como Jair Bolsonaro, seguirão afirmando que a luta contra o Irã é uma luta contra o terrorismo e pela democracia. Mentira! Não passa de ataque a um país que possui os seus problemas, mas que age de forma soberana e não baixa a cabeça diante dos desmandos da potência imperialista, como faz Bolsonaro diante de Trump. A agressividade norte-americana é um retrocesso para o mundo e se posicionar contra é papel de todas as organizações democráticas.

 

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