Assento ejetor e fuga: o protocolo dos pilotos para evitar a captura após abatimento

Atualizado em 4 de abril de 2026 às 23:58
Fragmento de um dos caças americanos abatidos pelo Irã. Reprodução

A busca por um membro da tripulação dos Estados Unidos após a queda de um caça no Irã mobiliza equipes especializadas de resgate em operações contínuas. O ex-diretor do Centro de Recuperação de Pessoal no Iraque, Ravi Chaudhary, afirmou que as forças norte-americanas mantêm protocolos permanentes para localizar militares abatidos em território hostil. Com informações da CNN Brasil.

Segundo Chaudhary, “nossas forças de recuperação, nossas capacidades de busca e resgate em combate são tão bem treinadas e capacitadas que elas não vão parar por nada até que consigamos trazer nosso membro de tripulação de volta para nossas forças amigas, de volta para suas famílias”. Ele destacou que as operações funcionam de forma ininterrupta.

O ex-oficial explicou que as missões de busca e resgate ocorrem “24 horas por dia, 7 dias por semana”, sendo conduzidas continuamente até a localização do militar desaparecido. O objetivo é manter contato e garantir a retirada segura da área de risco.

De acordo com o especialista, o piloto desaparecido pode estar aplicando técnicas de sobrevivência aprendidas durante o treinamento militar. Ele afirmou que o tripulante provavelmente está “maximizando seu esconderijo” e tentando estabelecer comunicação com as equipes de resgate no momento adequado.

Ravi Chaudhary, ex-diretor do Centro de Recuperação de Pessoal no Iraque do Exército dos EUA. Reprodução CNN

Chaudhary ressaltou que existem procedimentos específicos para evitar detecção por forças adversárias. “Nossas tripulações têm técnicas específicas para fazer contato no momento certo, então você não quer ser detectado pelos adversários que estão à sua procura de várias maneiras”, disse.

Durante a entrevista, o ex-oficial apresentou itens típicos de sobrevivência usados por pilotos, incluindo um manual da Academia da Força Aérea e uma faca improvisada com cabo feito de corda de paraquedas. Esses recursos fazem parte do treinamento voltado à adaptação em situações extremas.

Ele também detalhou aspectos técnicos da ejeção de aeronaves militares. Segundo Chaudhary, há um intervalo de cerca de 1,5 segundo entre a ejeção do assento dianteiro e do traseiro, o que pode levar tripulantes a cair em pontos distintos após a saída da aeronave.

A diferença de localização entre membros da tripulação pode dificultar o resgate simultâneo e ampliar a área de busca. Esse fator é considerado nas operações conduzidas pelo comando militar responsável.

Chaudhary afirmou ainda que a ausência de informações detalhadas por parte do governo dos Estados Unidos pode estar relacionada à condução das operações. Ele disse que o silêncio pode garantir ao Comando Central dos EUA “máxima oportunidade e mínima distração” durante a missão. Por outro lado, o Irã oferece uma recompensa a quem localizar o militar americano, o que levou milhares de pessoas às ruas para a busca.