Astronautas não deveriam dizer nada. Por Moisés Mendes

Atualizado em 7 de abril de 2026 às 11:10
Astronautas da missão Artemis 2. Foto: Divulgação

Mais uma série de bobagens como prova de que a humanidade não tem mais de onde tirar frases originais, nem quando está no espaço.

Essas frases são da astronauta Christina Koch, tripulante da nave Artemis 2. Essa é a primeira:

“Em certo momento, perto do fim do meu tempo na janela três, tive uma sensação avassaladora de emoção ao olhar para a Lua”.

Depois ela disse:

“Algo de repente me atraiu para a paisagem lunar e ela se tornou real”.

Essa é a pior frase:

“A Lua realmente é um corpo único no Universo. Não é apenas um pôster no céu. É um lugar real”.

Mas tem mais essa, da mesma Cristina:

“E, quando temos essa perspectiva e a comparamos com nosso lar na Terra, isso nos lembra o quanto temos em comum”.

Parte da Terra fotografada da capsula Orion. Foto: Reprodução/NASA

Astronautas não deveriam dizer nada em situações semelhantes, na tentativa de dimensionar com palavras o que estão sentindo e que ninguém mais irá sentir, porque aquele é um momento único.

Eles deveriam levar frases edificantes prontas daqui, encomendadas a autores profissionais de frases do tiktok, ou ficar quietos. Novas frases surpreendentes talvez saiam da boca de robôs, mas não de humanos.

Depois que o russo Yuri Gagarin disse que “a Terra é azul”, em 1961, não há mais nada a ser dito. Os americanos se esforçaram, mas produziram coisas desastrosas, como essa de Neil Armstrong ao pisar na Lua em 1969:

“Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade”.

É a pior de todas. Essa frase criou as bases da auto-ajuda e nos levou à teologia da prosperidade e a Pablo Marçal.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/