
Um projétil atingiu um navio enquanto a embarcação deixava o Estreito de Ormuz nesta terça (18), danificou a casa de máquinas e deixou uma vítima entre a tripulação. O episódio ampliou a tensão na rota estratégica entre o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e o Mar da Arábia.
O UK Maritime Trade Operations, órgão britânico que monitora o comércio marítimo, recebeu o relato de que a embarcação sofreu o impacto de um “projétil desconhecido”. A Guarda Costeira de Omã auxiliou os demais tripulantes, mas o órgão não divulgou o nome do navio, a carga transportada nem o estado da vítima.
Nenhum grupo ou governo reivindicou o ataque, que segue sob investigação. Outros navios sofreram ataques nos últimos dias na mesma rota, enquanto o tráfego pelo estreito permanece muito abaixo do nível anterior à guerra.
Dados do MarineTraffic indicaram que ao menos três navios comerciais atravessaram a região nas 24 horas anteriores à segunda (17). Antes do conflito, cerca de um quinto de todo o petróleo bruto negociado globalmente passava pela passagem marítima.

Irã condiciona reabertura de Ormuz a medidas dos Estados Unidos
A redução no tráfego impulsionou o mercado de energia: o petróleo Brent chegou a US$ 91,85 por barril, o maior valor em mais de três semanas. Investidores veem uma reabertura rápida de Ormuz como cada vez menos provável.
O Irã fechou o estreito na prática depois dos ataques aéreos lançados por Estados Unidos e Israel contra o país em 28 de fevereiro. Washington também mantém um bloqueio ao tráfego marítimo iraniano pela passagem.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Teerã só reabrirá Ormuz se os Estados Unidos encerrarem o bloqueio aos portos iranianos, liberarem ativos congelados e suspenderem sanções sobre o petróleo. Ele também exigiu o fim das ameaças e das operações militares americanas.
Na segunda-feira (17), Donald Trump descartou prorrogar o memorando firmado com Teerã em junho, cujo prazo de 60 dias expirou sem um novo acordo. Nesta terça, o presidente americano publicou na Truth Social um mapa do estreito identificado como “Novo Território dos EUA”, embora especialistas afirmem que nenhum dos lados controla integralmente a via marítima.