Ataque ao Irã visa a hegemonia de Israel no Oriente Médio, não o controle de “armas nucleares”

Atualizado em 28 de fevereiro de 2026 às 10:52
Trump e Netanyahu

No início da manhã de sábado (28), Estados Unidos e Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã, com explosões registradas em Teerã e em outras quatro cidades iranianas. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.

O governo israelense afirmou que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos do ataque, mas ele está em lugar seguro, de acordo a Reuters.

Essa ação faz parte de uma política prolongada que nunca se tratou de impedir que o Irã obtivesse armas nucleares, como se alega oficialmente. A questão é a hegemonia regional de Israel no Oriente Médio.

Israel, que há anos clama pela derrubada do regime iraniano, agora encontra aliados no governo dos Estados Unidos, onde figuras como o senador republicano Lindsey Graham, um doente racista “neoconservador”, defendem abertamente a mudança de regime.

As palavras de Graham não são um mistério. Ele já disse claramente que o objetivo é eliminar o regime iraniano. E isso é confirmado pela política israelense repetida ano após ano, que busca, em última instância, um controle completo da região, com o apoio de Donald Trump.

A ideia de que Trump estaria negociando para impedir o Irã de adquirir armas nucleares é uma falácia. O acordo já foi feito e Trump rasgou-o. O Irã, por sua vez, a cada ano afirma que não deseja armas nucleares e busca negociações. No entanto, os Estados Unidos não aceitam essa resposta porque isso contraria os interesses de Benjamin Netanyahu.

Não se trata do que é melhor para os EUA, mas do que atende às necessidades de Israel, um país que tem se aproveitado da alavancagem geopolítica americana para manter sua posição dominante no Oriente Médio.

Isso tudo levanta uma questão: por que os Estados Unidos têm seguido cegamente as ordens de Israel nos últimos 30 anos, não apenas em relação ao Irã, mas em toda a região? A tentativa de destruir o regime iraniano e substituir os aiatolás por algo “melhor” ignora completamente a complexidade do país.

Estamos falando de um país com 93 milhões de pessoas, orgulhoso de sua civilização milenar, com duas vezes e meia o tamanho da França e dezenas de grupos étinicos, destacando-se a persa. Quem, exatamente, substituiria o regime? A proposta de derrubar o regime iraniano sem saber quem assumirá o controle soa como uma réplica do desastre da Líbia, onde Hillary Clinton, em um esforço semelhante, destruiu uma nação sem qualquer plano claro para o futuro. A mesma coisa no Iraque.

O que parece simples no papel, quando se fala em eliminar o regime iraniano, pode ter consequências imprevisíveis. O Irã é um país vasto, montanhoso, com múltiplas regiões e dialetos, e um ataque para derrubar seu governo pode ser o gatilho para uma guerra civil devastadora, com efeitos no mundo inteiro.

O bando de Trump e Bibi ignora os riscos de uma guerra como essa, que poderia espalhar instabilidade por todo o Oriente Médio, com milhões de refugiados ameaçando não apenas a Europa, mas também os próprios Estados Unidos. Os ataques militares não resolvem, apenas criam um terreno fértil para mais violência e caos.

As aventuras militares no Oriente Médio e as velhas práticas de intervenção em nome da democracia são desastrosas. Vide os fracassos em lugares como Iraque, Afeganistão e Líbia.

A ideia de resolver todos os problemas no Oriente Médio por meio de guerra é criminosa, falida e ultrapassada. Os erros cometidos no passado são ignorados. A ideia de que derrubar regimes sem um plano concreto é uma estratégia válida é insana.

A história mostrou que isso leva apenas a mais massacres e mais caos. Os Estados Unidos odebedem de maneira canina Israel e o lobby sionista e atiram o resto do planeta no buraco.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.