Ataque apoiado pelos EUA no Equador destruiu fazenda, não base do narcotráfico

Atualizado em 25 de março de 2026 às 0:40
Helicóptero das Forças Armadas dos EUA em fazenda no Equador. Reprodução

Autoridades dos Estados Unidos afirmaram ter ajudado a bombardear um suposto campo de treinamento de traficantes de drogas no Equador. No entanto, uma investigação do New York Times aponta que o alvo pode ter sido, na verdade, uma fazenda de gado leiteiro.

No início de março, enquanto o presidente Donald Trump se preparava para receber líderes conservadores latino-americanos em uma cúpula na Flórida, autoridades americanas divulgaram um vídeo mostrando uma grande explosão em uma área rural equatoriana.

Segundo o governo, as imagens retratavam a destruição de um centro de treinamento ligado ao narcotráfico.

O material fazia parte de uma estratégia para demonstrar a ampliação das operações militares dos EUA na região. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, chegou a afirmar nas redes sociais que, após meses atacando embarcações suspeitas de transportar drogas, os militares agora estavam “bombardeando narcoterroristas em terra”.

De acordo com entrevistas com o proprietário da propriedade, quatro trabalhadores, advogados de direitos humanos e moradores da região, o ataque destruiu uma fazenda de criação de gado e produção de leite — e não um complexo criminoso. O local fica em San Martín, uma comunidade agrícola isolada no norte do país.

Além disso, embora o Pentágono tenha informado na época que realizou uma “ação direcionada” a pedido do Equador, fontes com conhecimento da operação afirmaram que tropas americanas não participaram diretamente do bombardeio mostrado no vídeo.

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